- A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está avaliando a liberação dos Fundos de Investimento em Participações (FIPs) para investidores pessoas físicas.
- Atualmente, esses fundos são restritos a investidores qualificados, que devem ter pelo menos R$ 1 milhão em investimentos.
- A consulta pública realizada entre dezembro e março recebeu 27 manifestações sobre o tema.
- A proposta da CVM inclui regulamentações para proteger novos investidores e a listagem das cotas em bolsa, visando aumentar a liquidez.
- Apesar do crescimento dos FIPs, com captação de R$ 9,9 bilhões até junho, o setor enfrenta desafios, com investimentos previstos em R$ 13,1 bilhões para 2024, o menor valor em quatro anos.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está avaliando a possibilidade de permitir que investidores pessoas físicas acessem os Fundos de Investimento em Participações (FIPs). Atualmente, esses fundos são restritos a investidores qualificados, que precisam ter pelo menos R$ 1 milhão em investimentos. A consulta pública realizada entre dezembro e março recebeu 27 manifestações sobre o tema.
Os FIPs são utilizados para investir em empresas fechadas, frequentemente aplicando recursos em private equity e venture capital. Esses fundos têm atraído famílias de alta renda e empresas, mas a proposta da CVM visa democratizar o acesso a esse tipo de investimento. Leandro Turaça, sócio da Ouro Preto Investimentos, destaca que a expansão para o público geral é positiva, pois democratiza o investimento.
A CVM sugere regulamentações para proteger os novos investidores, como a proibição de chamadas de capital, que são solicitações de mais dinheiro aos cotistas. No entanto, a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) alerta que essa proibição pode impactar a estrutura dos FIPs. Luiz Eugênio Figueiredo, vice-presidente da ABVCAP, ressalta que, embora haja interesse de pessoas de alta renda, o investimento em FIPs pode não ser adequado para todos.
A proposta da CVM inclui a listagem das cotas em bolsa, o que poderia gerar liquidez, mas a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) adverte que isso pode criar uma falsa sensação de liquidez. A Anbima apoia a abertura dos FIPs para o varejo, desde que haja uma regulação que proteja os investidores.
Os FIPs têm mostrado crescimento, com captação de R$ 9,9 bilhões até junho, consolidando-se como a terceira maior classe em captação líquida. Em junho, o patrimônio líquido dos FIPs atingiu R$ 943,73 bilhões, com R$ 535 bilhões provenientes de investidores estrangeiros. Apesar do crescimento, o cenário de private equity e venture capital enfrenta desafios, com investimentos em 2024 caindo para R$ 13,1 bilhões, o menor valor em quatro anos.
Entre na conversa da comunidade