- A temporada de resultados do segundo trimestre de 2025 no Brasil apresenta um cenário misto, com empresas prevendo lucros em alta, mas sinais de desaceleração econômica.
- O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 1,4% no primeiro trimestre, impulsionado pelo setor agrícola, enquanto a taxa Selic foi elevada para 15%.
- O Morgan Stanley projeta uma queda de 1% na receita e uma redução de 11% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em dólares. Em contrapartida, o Santander espera um aumento de 9% na receita líquida em reais, com um crescimento de 58% no lucro líquido.
- Os setores domésticos devem apresentar aumentos médios de 11% na receita líquida e 14% no Ebitda, mas a expectativa é de uma expansão de apenas 0,4% no segundo trimestre.
- Resultados de empresas como Ambev, Vale e Embraer serão monitorados, com o Bradesco prevendo um lucro líquido de R$ 5,9 bilhões e o Itaú, R$ 11,4 bilhões.
A temporada de resultados do segundo trimestre de 2025 (2T25) no Brasil apresenta um cenário misto, com empresas prevendo lucros em alta, mas enfrentando sinais de desaceleração econômica. O crescimento do PIB foi de 1,4% no 1T25, impulsionado pelo setor agrícola, enquanto a Selic foi elevada para 15%, indicando um ciclo de alta nas taxas de juros.
De acordo com o Morgan Stanley, as empresas brasileiras devem reportar resultados fracos em dólares, com uma queda de 1% na receita e uma redução de 11% no Ebitda na comparação anual. Em contraste, o Santander projeta um aumento médio de 9% na receita líquida em reais, embora espere uma leve queda de 1% no Ebitda. Para o lucro líquido, a expectativa é de crescimento de 58%.
Expectativas Setoriais
Os setores domésticos devem apresentar aumentos médios de 11% na receita líquida e 14% no Ebitda. No entanto, a equipe do Santander alerta que a economia brasileira, embora resiliente, mostra sinais de desaceleração. A expectativa é de uma expansão de apenas 0,4% no 2T25. O cenário global também traz incertezas, especialmente com as tarifas de 50% impostas pelos EUA sobre importações brasileiras, que podem impactar o sentimento do mercado.
Os analistas da Eleven Financial destacam que o crescimento do PIB nos últimos três anos foi impulsionado por gastos públicos e expansão do crédito. Embora o 2T25 ainda reflita essa tendência, a desaceleração pode se intensificar no terceiro trimestre.
Destaques e Desafios
Os resultados de empresas como Ambev, Vale e Embraer serão observados de perto, pois podem definir o tom para o restante do ano. O Bradesco BBI prevê um crescimento de 14% nos lucros domésticos em relação ao ano anterior, embora uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre seja esperada.
No setor bancário, o Bradesco deve reportar um lucro líquido de R$ 5,9 bilhões, enquanto o Itaú projeta R$ 11,4 bilhões. A inadimplência, no entanto, pode aumentar, refletindo o impacto das altas taxas de juros. No varejo, as empresas devem apresentar crescimento sólido, mas com sinais de desaceleração do consumo.
O setor de tecnologia e telecomunicações também deve enfrentar desafios, com a TIM prevendo um crescimento de 4,9% na receita. Em contrapartida, a Totvs deve apresentar resultados robustos, mantendo a tendência de crescimento saudável.
A temporada de resultados do 2T25 será crucial para entender as dinâmicas econômicas e setoriais no Brasil, à medida que as empresas se adaptam a um ambiente de incertezas e taxas de juros elevadas.
Entre na conversa da comunidade