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Sanções dos EUA afetam produção agrícola na América Latina e geram preocupações

Sanções dos EUA podem comprometer a produção agrícola no Brasil e no México, elevando preços de alimentos essenciais como milho e abacate.

Plantação de milho em Maringá (Foto: Rodolfo Buhrer - 13.jul.22/Reuters)
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  • Agricultores da América Latina enfrentam desafios devido a possíveis sanções secundárias dos Estados Unidos contra compradores de produtos russos, especialmente fertilizantes.
  • O Brasil e o México são grandes importadores de fertilizantes russos, com o Brasil recebendo cerca de um terço de sua demanda da Rússia, totalizando R$ 3,75 bilhões em 2022.
  • A guerra na Ucrânia já afetou o comércio de fertilizantes, e novas sanções podem inviabilizar a produção de culturas essenciais, como soja e milho.
  • O México importou mais de R$ 580 milhões em fertilizantes russos no último ano, e as sanções podem impactar a compra de ureia, essencial para o milho e abacate.
  • O Banco Mundial aponta que o aumento dos custos de fertilizantes contribui para a inflação alimentar na América Central, agravando a crise de custo de vida e impulsionando a migração.

Os agricultores da América Latina enfrentam um cenário desafiador com a possibilidade de sanções secundárias dos Estados Unidos contra compradores de produtos russos, especialmente fertilizantes. Esses insumos são cruciais para a produção agrícola no Brasil e no México, onde a dependência de fertilizantes russos é significativa. No Brasil, cerca de um terço da demanda por fertilizantes foi suprida por importações da Rússia, totalizando US$ 3,7 bilhões em 2022.

A guerra na Ucrânia já havia impactado o comércio de fertilizantes, mas a normalização dos preços não aliviou as preocupações. Novas sanções poderiam inviabilizar a produção de culturas essenciais, como soja e milho, elevando os preços de produtos agrícolas. Lucas Beber, vice-presidente da Aprosoja Brasil, afirmou que essas sanções “praticamente inviabilizariam a produção” no cenário atual.

Impactos no Setor Agrícola

O México também é fortemente afetado, tendo importado mais de US$ 580 milhões em fertilizantes russos no último ano. Raul Urteaga, ex-diretor de relações internacionais do Ministério da Agricultura do México, destacou que as sanções impactariam a compra de ureia, essencial para culturas como milho e abacate. A qualidade dos fertilizantes disponíveis poderia cair, resultando em aumento de preços para os consumidores americanos, que absorvem mais de 80% das exportações de abacate do México.

Além disso, a Colômbia, outro importante produtor agrícola, também depende da Rússia para cerca de um quarto de suas importações de fertilizantes. O Banco Mundial identificou o aumento dos custos de fertilizantes como um fator que contribui para a inflação alimentar na América Central, exacerbando a crise de custo de vida e impulsionando a migração.

Desafios e Alternativas

Embora o Brasil tenha planos para reduzir sua dependência de fertilizantes estrangeiros, o progresso tem sido lento. O governo brasileiro e a Petrobras buscam aumentar a produção nacional, mas fatores como falta de financiamento e altos custos de produção dificultam essa transição. No México, a Pemex enfrenta desafios semelhantes para tornar a produção de fertilizantes lucrativa.

Enquanto isso, produtores russos de fertilizantes esperam aumentar sua participação no mercado global, mirando principalmente países em desenvolvimento. A situação permanece volátil, e as tensões geopolíticas podem complicar ainda mais o cenário para os agricultores latino-americanos.

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