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Nova geração de produtores revitaliza cultivo de cacau fino no sul da Bahia

Produtores baianos apostam em cacau fino e chocolates artesanais, unindo qualidade e sustentabilidade para revitalizar a tradição cacaueira.

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  • A Bahia, que já foi uma das maiores produtoras de cacau, enfrenta desafios desde a crise da vassoura-de-bruxa nos anos 80, perdendo qualidade e produtividade.
  • Uma nova geração de produtores está focando na produção de cacau fino e chocolates artesanais, priorizando qualidade e práticas sustentáveis.
  • O preço do cacau aumentou significativamente, passando de US$ 2.300 por tonelada em 2022 para até US$ 12.600 em 2024, incentivando essa transformação.
  • Empreendimentos como a Fazenda Vila Rosa e a Fazenda Riachuelo estão integrando turismo e educação à produção de chocolate, atraindo visitantes e promovendo a cultura local.
  • Apesar dos avanços, os produtores ainda enfrentam desafios como a sucessão familiar e doenças nas lavouras, mas há um movimento crescente de retorno à cacauicultura.

Na Bahia, uma nova geração de produtores de cacau está revolucionando a indústria com foco em qualidade e sustentabilidade. Após décadas de desafios, como a devastadora praga da vassoura-de-bruxa nos anos 80, a região busca recuperar seu prestígio no mercado global, agora com ênfase na produção de cacau fino e chocolates artesanais.

Historicamente, a Bahia foi uma das maiores exportadoras de cacau, mas atualmente ocupa a sexta posição mundial. A crise de qualidade e produtividade levou muitos produtores a repensar suas estratégias. Hoje, a produção local se concentra em práticas como rastreabilidade e fermentação controlada, visando atender a um consumidor que valoriza a origem e a qualidade do chocolate.

O aumento dos preços do cacau nos últimos anos, que saltou de US$ 2.300 por tonelada em 2022 para até US$ 12.600 em 2024, impulsionou essa transformação. Produtores como Marcela Tavares Monteiro, da Cacau do Céu, e Patrícia Viana Lima, da Modaka, têm se destacado com chocolates premiados, utilizando amêndoas de suas próprias fazendas. Monteiro, por exemplo, investiu R$ 5 milhões para expandir sua produção e já colhe os frutos dessa nova abordagem.

Integração com Turismo e Educação

Além da produção de chocolate, muitos empreendedores estão integrando turismo e educação ao processo. O secretário de Turismo de Ilhéus, Maurício Galvão, destaca que 70% da produção na região é feita por agricultura familiar, e o objetivo é conectar o setor com a cultura local. Iniciativas como a Fazenda Vila Rosa, que combina turismo rural com a produção de chocolate, atraem visitantes interessados em aprender sobre o cultivo do cacau.

A Fazenda Riachuelo, da Mendoá Chocolates, também se destaca com seu sistema agroflorestal, que respeita a vegetação nativa. A produção é totalmente rastreável, e a fazenda se compromete a manter a qualidade do cacau, mesmo diante de desafios climáticos. Riane Brito de Costa, coordenadora de qualidade, ressalta que a separação do cacau para chocolate e para o mercado convencional começa na colheita.

Desafios e Oportunidades

Apesar dos avanços, os produtores enfrentam desafios como a sucessão familiar e as doenças que afetam as lavouras. João Tavares, da Fazenda Leolinda, menciona que a crise passada traumatizou muitos jovens, que buscam outras áreas. No entanto, há um movimento crescente de retorno à cacauicultura, impulsionado pela valorização do produto.

O futuro do cacau na Bahia parece promissor, com uma nova geração disposta a inovar e agregar valor ao que antes era apenas uma commodity. A combinação de qualidade, sustentabilidade e turismo pode ser a chave para revitalizar a tradição cacaueira da região, transformando o cacau em um símbolo de resistência e inovação.

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