- O Brasil deve adotar uma visão estratégica em energias renováveis, segundo Jorge Abache, professor da Universidade de Brasília.
- A nova Lei do Combustível do Futuro, sancionada em outubro de 2024, pode impulsionar o setor de biocombustíveis.
- Abache destaca que o Brasil está perdendo oportunidades na economia verde, enquanto a China se torna líder em energia limpa.
- O especialista menciona que a demanda global por biocombustíveis deve crescer trinta por cento até 2028, e o Brasil pode reduzir até oitocentas milhões de toneladas de CO₂ até 2030.
- Ele alerta que a geografia do Brasil pode ser uma vulnerabilidade geopolítica, especialmente em relação à Amazônia.
Brasil deve adotar visão estratégica em energias renováveis, diz especialista
O Brasil enfrenta desafios em sua agenda de sustentabilidade, enquanto a China se destaca como líder em energias renováveis. Jorge Abache, professor da Universidade de Brasília, defende que o país deve adotar uma visão estratégica para aproveitar seu potencial em biocombustíveis e energia renovável, especialmente com a nova Lei do Combustível do Futuro, sancionada em outubro de 2024.
Abache ressalta que a China transformou sua dependência energética em uma das maiores indústrias de energia limpa do mundo. “O Brasil está desperdiçando oportunidades bilionárias na economia verde”, afirma. O especialista critica a falta de uma abordagem de negócios em relação à sustentabilidade, destacando que o Brasil possui recursos naturais e tecnologia suficientes para liderar em áreas como biocombustíveis e energia renovável competitiva.
Potencial do Brasil
O conceito de “Power Shoring”, desenvolvido por Abache, refere-se à exportação de soluções verdes para indústrias que precisam descarbonizar. O Brasil, com sua abundância de energia renovável, poderia se tornar um líder nesse setor. No entanto, a falta de uma política clara impede o avanço, enquanto outros países da América Latina, como o México, já investem nessa direção.
No setor de biocombustíveis, o Brasil tem uma posição privilegiada, mas enfrenta barreiras geopolíticas. Apesar de ter uma infraestrutura consolidada e décadas de experiência com etanol, o país ainda enfrenta resistência, especialmente da Europa, que questiona a sustentabilidade dos biocombustíveis brasileiros. Abache argumenta que essa resistência é mais uma questão de interesses políticos do que de fatos.
Oportunidades e Desafios
Dados da Agência Internacional de Energia indicam que a demanda global por biocombustíveis deve crescer 30% até 2028. O Brasil, que já possui um terço da demanda de combustível sustentável, tem a oportunidade de reduzir até 800 milhões de toneladas de CO₂ até 2030 sem comprometer a produção de alimentos. A nova lei estabelece marcos regulatórios para fomentar combustíveis renováveis, como diesel verde e biometano.
Abache alerta que a geografia favorável do Brasil pode se tornar uma vulnerabilidade no contexto geopolítico. A Amazônia, rica em recursos hídricos, pode ser alvo de tensões internacionais. Com a COP30 se aproximando, o especialista defende uma mudança radical no discurso brasileiro, enfatizando a necessidade de soluções de mercado em vez de depender de doações internacionais.
O economista conclui que o Brasil deve explorar seus recursos naturais, como o petróleo da margem equatorial, para financiar sua transição energética. “Esses recursos são uma poupança que pode financiar nosso desenvolvimento”, afirma. A agenda climática, segundo ele, deve ser abordada com uma nova perspectiva, focando na segurança nacional e na sustentabilidade como um negócio.
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