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Brasil ainda enfrenta 50 milhões sem acesso a alimentação saudável apesar de avanços

Cinquenta milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para acessar alimentação saudável, apesar da queda na subnutrição.

Famílias como a de Valquíria Alfredo, em Alagoas, sentiram os efeitos do avanço da fome na pandemia, que afetou 2,6 milhões no estado, segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (Foto: Itawi Albuquerque/Folhapress)
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  • O Brasil tem 50,2 milhões de brasileiros sem condições de pagar por alimentação saudável, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
  • Essa situação representa 23,7% da população, mesmo com a subnutrição caindo para menos de 2,5% entre 2022 e 2024.
  • O ex-diretor da FAO, José Graziano, afirma que o problema é a falta de poder de compra, não a escassez de alimentos.
  • A secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, Luiza Trabuco, anunciou que a próxima fase do Plano Brasil Sem Fome focará em grupos vulneráveis, como indígenas e mulheres negras.
  • Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 27,6% dos domicílios brasileiros enfrentam insegurança alimentar, totalizando 21,6 milhões de lares.

O Brasil enfrenta um cenário complexo em relação à segurança alimentar, com 50,2 milhões de brasileiros incapazes de arcar com uma alimentação saudável, conforme dados da FAO. Essa cifra representa 23,7% da população e ocorre em um contexto onde a subnutrição caiu para menos de 2,5% entre 2022 e 2024, permitindo que o país deixasse o Mapa da Fome da ONU.

Embora a redução da subnutrição seja um avanço, especialistas alertam que os desafios permanecem. José Graziano, ex-diretor da FAO, destaca que a questão não é a falta de alimentos, mas sim a falta de poder de compra. O Brasil possui excedentes alimentares, mas a qualidade da alimentação depende do aumento de empregos e salários. A pandemia agravou a situação, afetando 2,6 milhões de pessoas em Alagoas, segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar.

Políticas Públicas em Foco

A retomada de políticas públicas, como o Bolsa Família e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), foi crucial para a melhoria recente. Graziano enfatiza que garantir comida na mesa não é suficiente; é necessário priorizar a qualidade alimentar. Isso envolve fortalecer pequenos agricultores e diversificar os canais de distribuição, que atualmente favorecem grandes redes de supermercados.

Luiza Trabuco, secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, anunciou que a próxima fase do Plano Brasil Sem Fome se concentrará em grupos vulneráveis, como indígenas e mulheres negras. A estratégia inclui um novo indicador municipalizado para identificar e alcançar essas populações, garantindo acesso a programas sociais e ações de segurança alimentar.

Insegurança Alimentar Persistente

Dados do IBGE revelam que 27,6% dos domicílios brasileiros enfrentam algum grau de insegurança alimentar, totalizando 21,6 milhões de lares. Desses, 4,1% estão em nível grave. Silvia Zimmermann, coordenadora da Rede Penssan, ressalta que a insegurança alimentar não se limita à falta de alimentos, mas também à dificuldade de acesso a opções saudáveis, o que pode levar a problemas como a obesidade.

A continuidade das políticas públicas e a articulação entre diferentes esferas governamentais são essenciais para evitar retrocessos. A análise da FAO indica que, apesar dos avanços, o Brasil ainda precisa enfrentar desafios significativos para garantir a segurança alimentar de sua população.

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