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Acordo comercial entre EUA e UE não deve afetar crescimento da defesa na Europa

Aumento nos gastos com defesa na Europa gera incertezas para empresas locais após acordo comercial com os EUA de $600 bilhões.

Foto: Reprodução
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  • Os gastos com defesa na Europa aumentam devido a preocupações de segurança e modernização das forças armadas.
  • A União Europeia (UE) planeja um orçamento de 2 trilhões de euros para os próximos anos.
  • Um novo acordo comercial entre os Estados Unidos (EUA) e a UE prevê investimentos de 600 bilhões de dólares em bens americanos, incluindo equipamentos militares.
  • Após o anúncio do acordo, ações de empresas de defesa europeias, como Thales, Renk e Rheinmetall, apresentaram quedas.
  • Analistas afirmam que, apesar das incertezas, as empresas de defesa europeias ainda podem se beneficiar do aumento dos orçamentos nacionais.

Os gastos com defesa na Europa estão em alta, impulsionados por preocupações de segurança e a necessidade de modernização das forças armadas. A União Europeia (UE) planeja um orçamento de 2 trilhões de euros para os próximos anos. Recentemente, um novo acordo comercial entre os EUA e a UE promete investimentos de $600 bilhões em bens americanos, incluindo equipamentos militares, o que gera incertezas para as empresas de defesa europeias.

As ações de empresas de defesa na Europa apresentaram volatilidade após o anúncio do acordo. A Thales, da França, caiu 4,3%, enquanto a Renk e a Rheinmetall, da Alemanha, registraram quedas de 5,1% e 3,3%, respectivamente. A Leonardo, da Itália, teve uma leve queda de 0,74%. Apesar das preocupações iniciais, analistas afirmam que as empresas de defesa europeias continuarão a se beneficiar do aumento dos orçamentos nacionais.

O acordo prevê que a UE invista $600 bilhões nos EUA até 2028, além dos $100 bilhões que já são investidos anualmente. O presidente dos EUA, Donald Trump, destacou que isso incluirá compras significativas de equipamentos militares. No entanto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, não mencionou as compras militares em sua declaração sobre o acordo, que ocorre em um momento em que a UE planeja um aumento substancial em seus próprios gastos com defesa.

Desafios e Oportunidades

A capacidade de produção das empresas europeias é uma preocupação. Peter Schaffrik, estrategista da RBC Capital Markets, observou que nem toda a demanda pode ser atendida por fabricantes europeus. A Stockholm International Peace Research Institute também levantou questões sobre as dificuldades históricas da Europa em escalar a produção de defesa, além de um descompasso entre oferta e demanda.

Embora o acordo possa beneficiar fornecedores militares dos EUA, como Lockheed Martin e Raytheon, a intenção da Europa é manter uma parte significativa do investimento em empresas locais. Dean Turner, economista da UBS, destacou que a capacidade de entrega das empresas europeias pode ser limitada, o que pode levar a um fluxo de capital para os EUA.

A natureza do acordo ainda gera dúvidas. Simon Evenett, professor de geopolitica, afirmou que o termo “investimento” é usado de forma ampla, e a verdadeira extensão do acordo ainda não está clara. A Comissão Europeia indicou que os $600 bilhões referem-se a investimentos do setor privado, sem compromissos adicionais por parte dos governos europeus.

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