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México ensina Brasil com sua estratégia de negociação com os EUA, afirma especialista

Brasil inicia negociações com os EUA para enfrentar tarifas comerciais e busca criar grupo permanente para proteger pequenos e médios produtores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente do México, Claudia Sheinbaum (Foto: Orlando Sierra/AFP)
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  • O Brasil inicia negociações comerciais com os Estados Unidos devido ao aumento de tarifas impostas pelo governo americano.
  • Thiago Aragão, diretor da Arko Advice Public Affairs, recomenda que o Brasil adote a estratégia de lobby e negociações utilizada pelo México.
  • Ele sugere a criação de um grupo permanente para tratar de questões comerciais com os EUA e a China, envolvendo setor privado, academia e governo.
  • Aragão alerta que pequenos e médios produtores serão os mais afetados pelas tarifas, pois não possuem a mesma capacidade de lobby que grandes empresas.
  • Apesar das preocupações, ele considera que as tarifas anunciadas foram menos severas do que o esperado, com produtos como café e carne excluídos da lista.

O Brasil inicia negociações comerciais com os Estados Unidos após a imposição de tarifas elevadas pelo governo americano. Thiago Aragão, diretor da Arko Advice Public Affairs, sugere que o país adote a estratégia mexicana de lobby e negociações para mitigar os impactos nas exportações, especialmente para pequenos e médios produtores.

Aragão destacou, durante uma live do Estadão, que o processo decisório em Washington é influenciado por redes políticas e empresariais. Ele enfatizou que não basta apenas enviar mensagens aos interlocutores, mas é necessário mapear condados e parlamentares que dependem economicamente de produtos brasileiros. “É preciso mostrar como a tarifa afeta o emprego naquela cidade”, afirmou.

O especialista propôs a criação de um grupo permanente de negociação comercial no Brasil, envolvendo representantes do setor privado, academia e governo, para tratar de questões relacionadas aos EUA e à China. “A dependência desses mercados é suficiente para que decisões em Washington e Pequim afetem mais do que as tomadas em Brasília”, disse Aragão.

Ele também alertou que os pequenos e médios produtores serão os mais prejudicados pelo aumento das tarifas, já que não têm a mesma capacidade de lobby que grandes empresas. Para apoiá-los, sugeriu a implementação de ferramentas como hotsites e centros de inteligência geopolítica, evitando que fiquem desamparados diante das mudanças.

Apesar das preocupações, Aragão avaliou que o pacote de tarifas anunciado foi menos severo do que o esperado, com produtos como café e carne ficando de fora da lista. “Foi uma forma de criar barganha e pressionar o governo brasileiro”, concluiu. O Brasil, segundo ele, precisa adotar uma política comercial de longo prazo, em vez de uma abordagem reativa.

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