- A indústria brasileira cresceu apenas 0,1% em junho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
- O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado e não compensou quedas anteriores.
- O crescimento acumulado no segundo trimestre foi de apenas 0,07%, contribuindo pouco para o Produto Interno Bruto (PIB).
- O setor automotivo teve um desempenho positivo, com avanço de 2,4%, enquanto as indústrias extrativas e de combustíveis caíram 1,9% e 2,3%, respectivamente.
- Expectativas para os próximos meses indicam crescimento modesto, com desafios relacionados à demanda interna e tarifas dos Estados Unidos.
A indústria brasileira registrou um crescimento de apenas 0,1% em junho, segundo dados do IBGE divulgados nesta sexta-feira, 1. Este resultado, abaixo das expectativas do mercado, evidencia a continuidade da desaceleração do setor, que já enfrentava desafios devido à guerra comercial e juros elevados.
O economista sênior do Inter, André Valério, destaca que a variação de junho não é suficiente para compensar as quedas observadas nos meses anteriores. O crescimento acumulado do setor no segundo trimestre foi de apenas 0,07%, refletindo uma contribuição quase nula para o PIB. O setor automotivo se destacou positivamente, com um avanço de 2,4%, enquanto as indústrias extrativas e de combustíveis apresentaram quedas de 1,9% e 2,3%, respectivamente.
Desafios e Expectativas
A análise de Leonardo Costa, do ASA, aponta que a indústria está em um compasso de maior instabilidade, com crescimento sustentado por poucos segmentos. A demanda interna fraca e o aperto monetário são fatores que agravam a situação. Para os próximos meses, as expectativas são de continuidade dessa tendência, mesmo com a redução parcial das tarifas americanas.
Rafael Perez, da Suno Research, reforça que a incerteza global, impulsionada pela guerra tarifária, tem dificultado o planejamento em diversos setores. As tarifas de 50% sobre produtos como carnes e café ainda impactam negativamente a indústria. As projeções indicam que o setor deve permanecer estagnado até o fim do ano, enfrentando um cenário de juros altos e crédito caro.
Cenário Atual
Natalia Cotarelli, Marina Garrido e Mario Mesquita, economistas do Itaú, também notaram que a produção industrial de junho foi mais fraca do que o esperado. A surpresa negativa se concentrou no setor extrativo, enquanto a indústria de transformação também teve desempenho aquém das previsões. A tendência de perda de fôlego deve persistir nos próximos meses, refletindo um ambiente econômico desafiador.
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