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Apostas online crescem entre idosos e geram vícios e dívidas preocupantes

Projeto de lei busca proteger idosos do vício em apostas, após relatos alarmantes de dívidas e consequências emocionais severas.

Homem idoso pensativo. (Foto: Freepik/gpointstudio)
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  • A dependência de jogos de azar entre idosos no Brasil tem aumentado, com pessoas acima de 60 anos gastando em média R$ 3 mil por mês em apostas.
  • Lorena, de 62 anos, e Paulo, de 74, são exemplos de como o vício em apostas online pode levar a dívidas significativas. Lorena acumulou uma dívida de R$ 50 mil após começar a apostar em 2023.
  • Paulo, que começou a apostar em 2022, teve suas economias quase zeradas, levando seus filhos a intervir em suas finanças.
  • Um projeto de lei, o 4466/24, está em tramitação no Congresso Nacional para proteger idosos de abusos relacionados ao vício em jogos, incluindo educação financeira e serviços de saúde mental.
  • O psiquiatra Rodrigo Machado compara o vício em jogos a dependências químicas, destacando que o acesso a jogos online intensifica o problema, com cerca de 23 milhões de brasileiros apostando em aplicativos.

A dependência de jogos de azar entre idosos tem se tornado uma preocupação crescente no Brasil. Dados recentes indicam que pessoas acima de 60 anos gastam, em média, R$ 3 mil por mês em apostas, um valor alarmante que reflete a vulnerabilidade dessa faixa etária. Lorena, de 62 anos, e Paulo, de 74, são exemplos de como o vício em apostas online pode levar a sérias consequências financeiras e emocionais.

Lorena, motorista de aplicativo, começou a apostar em 2023 após ver uma propaganda no Instagram. Inicialmente, apostou R$ 30, mas logo se viu presa em um ciclo de apostas que resultou em uma dívida de R$ 50 mil. Ao perceber o descontrole, buscou ajuda jurídica para renegociar suas dívidas através da Lei do Superendividamento. Ela relata que, mesmo com uma renda mensal de pouco mais de R$ 8 mil, o dinheiro desaparecia rapidamente nas apostas.

Por outro lado, Paulo, que se distanciou socialmente após a morte da esposa, se tornou alvo fácil para o vício em jogos de azar. Ele começou a apostar em 2022, atraído por jogos simples como o “tigrinho”. Sua situação financeira deteriorou-se a ponto de seus filhos precisarem intervir, controlando suas contas e celular após descobrirem que suas economias estavam quase zeradas.

Projeto de Lei em Tramitação

Diante do aumento de casos como os de Lorena e Paulo, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 4466/24, que visa proteger os idosos contra abusos relacionados ao vício em jogos. A proposta inclui medidas de prevenção e educação financeira, além de garantir serviços de saúde mental para o tratamento da ludopatia. Caren Benevento, advogada e pesquisadora, destaca que o projeto busca coibir a exploração financeira e promover um ambiente mais seguro para os idosos.

A educadora financeira Ana Paula Hornos ressalta que, embora a educação financeira seja essencial, o vício em jogos muitas vezes está ligado a questões emocionais profundas. Para combater essa dependência, é fundamental que haja apoio familiar e estratégias de prevenção integradas.

Sinais de Dependência

Os relatos de Lorena e Paulo evidenciam os sinais de dependência, como mentiras sobre gastos e a busca por alívio emocional nas apostas. O psiquiatra Rodrigo Machado explica que o vício em jogos pode ser comparado a dependências químicas, onde a necessidade de apostar aumenta com o tempo. O acesso facilitado a jogos online intensifica esse problema, criando um “cassino” na palma da mão.

Com 23 milhões de brasileiros apostando em aplicativos, a situação se torna crítica. Quase metade dos apostadores está endividada, e muitos recorrem a empréstimos para sustentar o vício. O tratamento para dependência em apostas ainda é escasso no Sistema Único de Saúde, tornando grupos de apoio, como os Jogadores Anônimos, essenciais para aqueles que buscam ajuda.

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