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Tarifas de Trump podem impulsionar a liderança da China no mercado de cobre

Tarifas de 50% sobre cobre semifabricado podem intensificar a dependência dos EUA da China na fundição de metais, alertam especialistas

Máquinas pesadas na mina de cobre da canadense First Quantum, em Donoso, no Panamá (Foto: Martin Bernetti - 21.mar.25/AFP)
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  • Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre importações de cobre semifabricado para reduzir a dependência dos Estados Unidos da China.
  • Executivos do setor de mineração alertam que essa medida pode reforçar o domínio chinês na fundição de metais.
  • Atualmente, os Estados Unidos possuem apenas duas fundições em operação, enquanto a China tem dezenas.
  • A construção de novas fundições nos EUA é considerada extremamente cara e as tarifas não garantem novos investimentos.
  • Para que os EUA se tornem autossuficientes em cobre, seriam necessárias de duas a três novas fundições, mas não há perspectivas claras para isso.

Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre importações de cobre semifabricado, uma medida que visa reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação à China. No entanto, executivos do setor de mineração alertam que essa estratégia pode, na verdade, consolidar o domínio chinês na fundição de metais.

A tarifa, que se aplica a produtos como tubos e fios de cobre, foi justificada pela Casa Branca como uma resposta à ameaça de fechamento de instalações de produção doméstica. Contudo, especialistas afirmam que as tarifas não são suficientes para incentivar a construção de novas fundições nos EUA, onde atualmente existem apenas duas em operação, em contraste com as dezenas na China.

Duncan Wanblad, CEO da Anglo American, destacou que o custo de construir fundições nos EUA é extraordinariamente alto. Andrew Forrest, presidente da Fortescue Metals Group, afirmou que as tarifas podem resultar na “exportação” de empregos e da própria indústria, caracterizando-as como uma forma de autossabotagem.

Desafios do Setor

Embora os EUA produzam minério de cobre, a capacidade de fundição é insuficiente para atender à demanda interna. A tarifa exclui o cobre refinado, surpreendendo os mercados. Em 2023, a China foi responsável por mais de 50% da produção mundial de fundição de cobre, seguida por Japão e Chile.

Kathleen Quirk, da Freeport McMoran, ressaltou que ampliar rapidamente a capacidade de refino é um desafio. A construção de novas fundições requer investimentos de longo prazo, e a Norsk Hydro enfatizou que tarifas não garantem novos investimentos, que podem ser rapidamente revertidos.

Perspectivas Futuras

A crescente capacidade de fundição na China tem gerado escassez de minério, levando algumas fundições a pagar para processar o material. Erik Heimlich, do grupo CRU, afirmou que a capacidade chinesa continuará a crescer, enquanto a de outros países pode diminuir. Para que os EUA se tornem autossuficientes em cobre, seriam necessárias duas ou três novas fundições em operação, mas não há perspectivas claras nesse sentido.

O governo americano também anunciou que um quarto da sucata de cobre de alta qualidade produzida internamente deverá ser vendido no mercado local. Daniel Hynes, do ANZ, alertou que as medidas atuais podem facilitar o aumento do domínio chinês no setor, a menos que ações mais efetivas sejam tomadas.

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