- Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), afirmou que a instabilidade no comércio global será o novo normal.
- Ele destacou a cautela dos países membros dos Brics em suas interações, especialmente devido às políticas protecionistas dos Estados Unidos.
- O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pretende contatar líderes do Brics, como o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para discutir o aumento de tarifas dos EUA.
- Azevêdo alertou sobre o risco de novas tarifas e limitações no comércio bilateral, enfatizando a imprevisibilidade dessas decisões.
- Ele também mencionou que o sistema multilateral está enfraquecido, resultando em fragmentação das relações econômicas e incertezas no comércio global.
Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), afirmou que a instabilidade no comércio global será o novo normal. Ele destacou a cautela dos países membros dos Brics em suas interações, especialmente em meio às políticas protecionistas do governo Trump.
Azevêdo observou que os líderes dos Brics estão preocupados em não parecer que o grupo está em uma postura anti-EUA. O ex-diretor sugeriu que uma ação conjunta entre os membros pode incluir apoio mútuo para abrir mercados ou fortalecer o multilateralismo, dependendo da agenda e da narrativa escolhidas.
Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou a intenção de contatar líderes do Brics, como o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para discutir uma resposta ao aumento de tarifas imposto pelos EUA. Essas tarifas afetam diretamente produtos exportados, especialmente após a imposição de taxas sobre a Índia devido à compra de petróleo da Rússia.
Azevêdo alertou sobre o risco de novas tarifas e limitações no comércio bilateral, afirmando que a lógica por trás dessas decisões é muitas vezes imprevisível. Ele enfatizou que o comércio mais livre está sob ameaça, e que a instabilidade será uma constante nas relações comerciais internacionais.
Além disso, Azevêdo comentou sobre a situação da OMC, ressaltando que o pedido de consulta do Brasil não resultará em retaliações imediatas, mas pode servir como um importante canal de engajamento político. Ele destacou que a centralização das decisões na Casa Branca torna as interações diretas entre líderes essenciais para a negociação.
Por fim, Azevêdo concluiu que o sistema multilateral está enfraquecido, o que resulta em uma fragmentação das relações econômicas. Essa nova realidade impacta decisões de investimento e crescimento econômico, sinalizando um período prolongado de incertezas no comércio global.
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