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Cidade brasileira tem mais bois do que habitantes e mais casas que pessoas

São Félix do Xingu enfrenta grave crise demográfica, enquanto Uiramutã e cidades paulistas mostram peculiaridades populacionais marcantes

Bois da raça Nelore, uma das mais populares do Brasil (Foto: Wikimedia Commons)
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  • A Nova Zelândia tem uma relação de cinco ovelhas para cada habitante, enquanto São Félix do Xingu, no Pará, possui 38 bois por pessoa.
  • O Censo 2022 revelou que a população de São Félix do Xingu caiu 28,38%, de 91.340 em 2010 para 65.418 em 2022.
  • O município tem 2,5 milhões de cabeças de gado, representando 1,1% do total nacional, mas enfrenta migração constante.
  • Uiramutã, na tríplice fronteira com Venezuela e Guiana, tem 96,6% de sua população indígena e a pior qualidade de vida do país.
  • Balbinos e Itaí, em São Paulo, apresentam peculiaridades demográficas devido à presença de presídios, com a maioria da população sendo homens.

A Nova Zelândia, famosa por sua relação de cinco ovelhas para cada habitante, contrasta com São Félix do Xingu, no Pará, que possui 38 bois por pessoa. O município paraense, segundo o Censo 2022, viu sua população cair 28,38%, passando de 91.340 em 2010 para 65.418 em 2022. Essa queda acentuada reflete a fragilidade de uma economia centrada no agronegócio, que não conseguiu reter seus habitantes.

Com 2,5 milhões de cabeças de gado, São Félix do Xingu representa 1,1% do total nacional, mas a migração para outras regiões continua. Historicamente, a cidade já enfrentou crises, como a que ocorreu após o ciclo da borracha. Apesar de sua vasta área, que é quase do tamanho de Santa Catarina, o município não conseguiu atrair novos moradores.

Anomalias Demográficas

O Censo 2022 também revelou peculiaridades em outros municípios brasileiros. Uiramutã, na tríplice fronteira com Venezuela e Guiana, destaca-se por ter 96,6% de sua população indígena e a pior qualidade de vida do país, segundo o Índice de Progresso Social. Com uma população jovem, a idade mediana é de apenas 15 anos.

Balbinos, em São Paulo, apresenta uma situação inusitada. A cidade, que já teve 4 mil habitantes, viu sua população cair para pouco mais de mil, mas a inauguração de duas penitenciárias em 2006 trouxe um aumento populacional atípico. Hoje, 81,6% dos 3.887 moradores são homens, devido à presença dos presídios.

Itaí, também em São Paulo, abriga a única cadeia exclusiva para estrangeiros no Brasil, com capacidade para 1,6 mil detentos. A diversidade étnica é notável, com homens de mais de 80 países já detidos. Essas características demográficas revelam como políticas públicas podem impactar a composição populacional e a economia local.

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