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Bolívia enfrenta crise econômica com filas para pão e gasolina antes das eleições

Bolívia enfrenta crise severa com inflação de 24,8% e filas por produtos essenciais a poucos dias das eleições gerais de 17 de agosto

Um pãozinho crocante se tornou símbolo da grave crise econômica na Bolívia, que parece prestes a decidir o resultado das eleições mais significativas em quase duas décadas na Bolívia — Foto: AIZAR RALDES / AFP
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  • A Bolívia enfrenta uma grave crise econômica com escassez de alimentos, combustíveis e dólares.
  • A inflação chegou a 24,8%, gerando insatisfação popular e longas filas por produtos essenciais.
  • O governo de Luis Arce, que não buscará reeleição, é alvo de críticas, enquanto candidatos de direita lideram as pesquisas para as eleições de 17 de agosto.
  • O ex-presidente Jorge Quiroga e o empresário Samuel Doria Medina são os favoritos nas pesquisas.
  • Especialistas alertam para um possível aumento da pobreza, que pode atingir 44%, e para a necessidade de reformas drásticas na política econômica.

Em meio a uma grave crise econômica, a Bolívia se prepara para as eleições gerais de 17 de agosto. A escassez de alimentos, combustíveis e dólares tem gerado insatisfação popular, com a inflação atingindo 24,8%. O governo de Luis Arce, que não buscará reeleição, enfrenta críticas crescentes.

A poucos dias da votação, candidatos de direita lideram as pesquisas, enquanto a população lida com longas filas para produtos essenciais. Wilson Paz, um trabalhador autônomo de 39 anos, relata a dificuldade em encontrar pão fresco, afirmando que a crise o deixou sem opções. “Estamos esperando ansiosamente que as eleições cheguem para mudar este modelo que nos empobreceu”, diz.

O ex-presidente Jorge Quiroga e o empresário Samuel Doria Medina são os favoritos nas pesquisas. O próximo presidente enfrentará desafios significativos, como a necessidade de reduzir o déficit fiscal de cerca de 10% e ajustar os preços dos combustíveis, que podem triplicar. O governo de Arce quase esgotou suas reservas internacionais de dólares, essenciais para sustentar os subsídios.

A importação de gasolina e diesel, além de insumos como trigo, se tornou irregular, resultando em filas extensas em postos de gasolina. “Vim às 6h da manhã e às 11h estou entrando para abastecer”, relata um taxista. A exportação de gás natural, que antes sustentava a economia, caiu drasticamente desde 2017, contribuindo para a crise atual.

Carlos Tavera, um aposentado, expressa sua frustração: “Qualquer um é melhor do que isso. Agora não temos dólares. Há filas para gasolina, para pão, para tudo.” Especialistas alertam que a pobreza pode ser ainda maior do que os 36% relatados pelo governo, com um estudo indicando que a taxa real pode ser de 44%.

A situação é crítica, e economistas preveem um possível processo hiperinflacionário. O governo busca estabilizar a economia através da emissão de moeda local, mas especialistas afirmam que são necessárias reformas drásticas, como a mudança na política de subsídios. O futuro da Bolívia depende das decisões que serão tomadas nas próximas semanas.

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