- O governo federal está prestes a anunciar um novo modelo de crédito imobiliário, que permitirá o uso flexível dos recursos da poupança.
- A proposta, em fase final de elaboração, pode ser divulgada até agosto e gera preocupações no setor da construção civil.
- Atualmente, os bancos devem direcionar sessenta e cinco por cento dos depósitos da poupança para financiamentos habitacionais.
- Com a nova proposta, os recursos poderão ser usados em outras aplicações, desde que os bancos concedam empréstimos habitacionais equivalentes.
- Representantes do setor expressam que a mudança pode resultar em financiamentos mais caros e sugerem ajustes pontuais para melhorar a liquidez no sistema.
O governo federal está prestes a anunciar um novo modelo de crédito imobiliário, que permitirá o uso flexível dos recursos da poupança, sem direcionamento obrigatório. A proposta, em fase final de elaboração, pode ser divulgada até agosto e gera preocupações no setor da construção civil. A flexibilização pode impactar as taxas de juros e o financiamento de imóveis, levando a um aumento nos custos que inibiria vendas e comprometeria as receitas das incorporadoras.
Atualmente, os bancos são obrigados a direcionar 65% dos depósitos da poupança para financiamentos habitacionais e a manter 20% no Banco Central. Com a nova proposta, esses recursos poderão ser utilizados em outras aplicações, desde que os bancos concedam empréstimos habitacionais equivalentes. Essa mudança pode resultar em financiamentos mais caros, uma vez que os recursos de mercado costumam ter taxas superiores.
O presidente do Secovi-SP, Ely Wertheim, expressou que não há urgência para implementar essas mudanças, sugerindo que o sistema atual de financiamento habitacional já funciona bem. Ele acredita que a caderneta de poupança pode se esgotar em 20 a 25 anos, indicando que ajustes podem ser feitos com calma. A rapidez do governo em anunciar as novas regras tem gerado desconforto entre os representantes do setor.
Críticas e Preocupações
A proposta também enfrenta críticas de Luiz França, presidente da Abrainc, que considera o novo modelo arriscado. Ele aponta que a equalização das taxas de juros pode ser comprometida, dificultando a precificação dos empréstimos. A implementação imediata do novo modelo, à medida que contratos existentes forem quitados, é vista como uma fragilidade.
A Febraban, por sua vez, reconhece a necessidade de novas fontes de financiamento, mas pede cautela na análise das implicações do novo modelo. O setor da construção acredita que a redução da taxa Selic pode melhorar as condições de financiamento, argumentando que o problema não está na fonte de recursos, mas nos custos das operações.
As entidades do setor sugerem ajustes pontuais, como a liberação de parte dos recursos da poupança que estão parados no compulsório, para injetar liquidez no sistema. A proposta do novo modelo, segundo França, pode acabar liberando o compulsório de forma indireta, o que gera ainda mais incertezas.
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