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Dólar deve se valorizar na América Latina até o final do ano, aponta especialista

Wells Fargo prevê queda de 9% no real e 11% no peso mexicano, alertando para riscos políticos e econômicos na América Latina

Agência do Wells Fargo em Nova York: banco é uma das maiores instituições financeiras americanas, ao lado de JP Morgan Chase e Citi. (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)
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  • As moedas latino-americanas, como o real brasileiro e o peso mexicano, valorizaram-se em 2023 devido à fraqueza do dólar.
  • O banco Wells Fargo prevê uma recuperação do dólar, com queda de 9% para o real e 11% para o peso mexicano nos próximos meses.
  • Aroop Chatterjee, estrategista macro do Wells Fargo, destaca riscos políticos e econômicos na América Latina, incluindo eleições no Brasil e na Colômbia.
  • O cenário inflacionário nos Estados Unidos limita a redução das taxas de juros pelo Federal Reserve, o que pode impactar negativamente as moedas da região.
  • Chatterjee espera que o real termine o ano a R$ 5,9 por dólar e o peso a MEX$ 21 por dólar, prevendo uma queda de 4% no peso chileno.

As moedas latino-americanas, como o real brasileiro e o peso mexicano, tiveram uma valorização significativa em 2023, impulsionadas pela fraqueza do dólar. No entanto, o banco Wells Fargo projeta uma recuperação da moeda americana, prevendo uma queda de 9% para o real e 11% para o peso nos próximos meses, devido a riscos políticos e econômicos na região.

A valorização das moedas da América Latina, que dispararam neste ano, é resultado de uma alta geral nos mercados emergentes, favorecida pela desvalorização do dólar. Contudo, Aroop Chatterjee, estrategista macro do Wells Fargo, alerta que a fraqueza do dólar pode não se sustentar, já que a inflação nos Estados Unidos continua alta, limitando a capacidade do Federal Reserve de reduzir as taxas de juros.

Os dados recentes sobre a inflação nos EUA e os números fracos do setor de empregos reforçam a expectativa de que o Fed não flexibilize sua política monetária rapidamente. Chatterjee destaca que o cenário macroeconômico e o posicionamento das moedas latino-americanas são negativos, com um potencial de valorização do dólar nos próximos três meses considerado “bastante alto”.

Riscos e Expectativas

Além das questões inflacionárias, a América Latina enfrenta desafios políticos, com eleições presidenciais programadas no Brasil e na Colômbia para o próximo ano. O estrategista do Wells Fargo também menciona que o México deve continuar sob a influência de políticas comerciais do governo dos EUA, especialmente com a revisão do acordo USMCA prevista para 2026.

Chatterjee espera que o real termine o ano cotado a R$ 5,9 por dólar, enquanto o peso mexicano deve encerrar em MEX$ 21 por dólar, refletindo uma economia em direção à recessão. Apesar do desempenho forte das moedas latino-americanas até agora, o especialista afirma que o cenário futuro é desafiador e recomenda a venda do peso chileno contra o dólar, prevendo uma queda de 4% na moeda andina.

O ano de 2023 foi marcado por uma valorização expressiva das moedas da região, mas os riscos políticos e econômicos podem reverter essa tendência, colocando os investidores em alerta.

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