- O peso mexicano se valorizou para pouco acima de 18,50 pesos por dólar, após a suspensão de tarifas de 25% sobre importações pelos Estados Unidos.
- Em fevereiro, a moeda havia atingido 21 pesos por dólar devido a essas tarifas.
- Nos últimos três meses, o peso teve uma alta superior a 5%, destacando-se no mercado cambial.
- A valorização é impulsionada pela taxa básica de juros do México, que está em 7,75% ao ano, atraindo investidores.
- O México também obteve uma extensão de 90 dias para aplicar tarifas recíprocas sobre produtos não isentos, o que favoreceu sua moeda em relação ao dólar canadense.
O peso mexicano se destaca como um dos grandes vencedores no cenário cambial, valorizando-se para pouco acima de 18,50 pesos por dólar. Essa recuperação ocorre após a adição das tarifas de 25% sobre importações mexicanas pelos Estados Unidos, que inicialmente levaram a moeda a 21 pesos por dólar em fevereiro. A recente suspensão das tarifas permitiu um aumento de mais de 5% no valor do peso nos últimos três meses, segundo dados da Bloomberg.
A valorização do peso é impulsionada pelo retorno do apetite global por ativos de alto rendimento e pela taxa básica de juros do México, que está em 7,75% ao ano. Isso torna o país um destino atrativo para investidores que buscam carry trade, estratégia que envolve tomar empréstimos em moedas com juros baixos para investir em ativos de maior rendimento. Além disso, a queda na volatilidade cambial contribui para essa tendência, com um índice da CME Group indicando o menor nível de oscilação do dólar-peso desde maio do ano passado.
Contexto Comercial
O México e o Canadá desfrutam de condições comerciais mais favoráveis com os EUA, devido à isenção para bens que atendem ao acordo Estados Unidos-México-Canadá. Em julho, o México conseguiu uma extensão de 90 dias para aplicar tarifas recíprocas sobre produtos não isentos, enquanto o Canadá não obteve o mesmo benefício. Isso resultou em uma valorização do peso em comparação ao dólar canadense, que subiu apenas 1,4% no mesmo período.
Entretanto, o cenário não é isento de riscos. A relação bilateral entre o México e os EUA enfrenta tensões, especialmente em temas de segurança e o endividamento da petroleira estatal Pemex. O governo de Claudia Sheinbaum está em negociações com a Casa Branca para um novo pacto de combate ao narcotráfico, mas há receios sobre possíveis ações unilaterais dos EUA. Enquanto isso, o real brasileiro também apresentou uma alta de cerca de 4% nos últimos três meses, apesar de desafios fiscais e tensões comerciais com os EUA.
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