- O Banco do Brasil (BBAS3) registrou um lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no segundo trimestre de 2025, uma queda de 60% em relação ao ano anterior.
- A inadimplência total aumentou para 4,21%, impactando negativamente os resultados, especialmente no setor do agronegócio, que representa 33,8% da carteira de crédito.
- A margem financeira do banco foi de R$ 25,1 bilhões, com crescimento trimestral de 4,9%, mas queda de 1,9% em relação ao ano passado.
- O banco revisou suas projeções de lucro anual para um intervalo entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões, mais de R$ 10 bilhões abaixo da estimativa anterior.
- A distribuição de dividendos foi reduzida para 30%, refletindo a necessidade de ajustes e preservação de capital.
O Banco do Brasil (BBAS3) divulgou nesta quinta-feira, 14 de agosto, um lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no segundo trimestre de 2025, uma queda de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou abaixo das expectativas de analistas, que projetavam um lucro de R$ 5 bilhões. A inadimplência total do banco subiu para 4,21%, refletindo os desafios enfrentados pelo setor do agronegócio, que representa 33,8% da carteira de crédito.
A margem financeira do Banco do Brasil atingiu R$ 25,1 bilhões, com um crescimento trimestral de 4,9%, mas uma redução de 1,9% em relação ao ano passado. As provisões para perdas esperadas aumentaram para R$ 15,9 bilhões, um crescimento de 104% em comparação ao ano anterior. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) caiu para 8,4%, o menor nível desde 2016.
Revisão de Projeções
Em resposta aos resultados, o banco revisou suas projeções de lucro anual para um intervalo entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões, mais de R$ 10 bilhões abaixo do anteriormente estimado. A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou que 2025 será um ano de ajustes, com foco na preservação de capital e na melhoria da rentabilidade.
Analistas do BTG Pactual e do JP Morgan também cortaram suas estimativas para o lucro do banco, prevendo valores significativamente inferiores aos anteriores. O BTG, por exemplo, espera um lucro de R$ 23,5 bilhões, enquanto o JP Morgan projeta R$ 22,04 bilhões, ambos refletindo uma queda acentuada em relação a 2024.
Desafios no Agronegócio
A inadimplência no setor agrícola, exacerbada pela queda nos preços das commodities, tem pressionado a rentabilidade do Banco do Brasil. A nova resolução do Banco Central que exige maior provisionamento também impactou os resultados, limitando a capacidade do banco de reconhecer receitas de operações de crédito em risco.
Além disso, a Legacy Capital destacou que o modelo de concessão de crédito agrícola do banco pode estar desatualizado, colocando-o em desvantagem em relação a concorrentes que utilizam garantias mais eficazes. A expectativa é que o aumento nas provisões continue a pressionar a lucratividade e a distribuição de dividendos, que foi reduzida para 30%.
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