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Gigantes da energia investem pesado em GNL, ignorando previsões de pico de gás

Empresas de petróleo apostam em gás natural liquefeito, mas analistas alertam para riscos de excesso de oferta e crescimento das energias renováveis

Foto: Reprodução
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  • As grandes empresas de petróleo estão aumentando seus investimentos em gás natural liquefeito (LNG), apesar das previsões de pico na demanda até 2030.
  • Shell, TotalEnergies, Exxon Mobil e Chevron estão expandindo suas operações no setor, prevendo um crescimento de sessenta por cento na demanda global por LNG até 2040, impulsionado pelo crescimento econômico na Ásia.
  • O CEO da Shell, Wael Sawan, destacou o LNG como um combustível versátil, especialmente relevante durante a crise energética na Europa. A TotalEnergies espera um aumento de cinquenta por cento em seus volumes de LNG até 2030.
  • Analistas alertam que essa estratégia pode ser arriscada devido ao crescimento das energias renováveis e à possibilidade de excesso de oferta no mercado. A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê que a demanda por gás deve atingir um platô até o final da década.
  • As empresas precisam garantir a rentabilidade dos investimentos em LNG, que podem ter uma duração de trinta a quarenta anos, em um cenário de demanda em declínio após 2040.

As grandes empresas de petróleo estão intensificando seus investimentos em gás natural liquefeito (LNG), desafiando previsões que indicam um pico na demanda até 2030. Shell, TotalEnergies, Exxon Mobil e Chevron estão ampliando suas operações nesse setor, com a expectativa de que a demanda global por LNG cresça 60% até 2040, impulsionada principalmente pelo crescimento econômico na Ásia.

Shell, por exemplo, identificou o LNG como um foco central em sua estratégia de transição energética. O CEO da empresa, Wael Sawan, afirmou que o LNG é um combustível versátil, capaz de atender a diferentes necessidades energéticas em momentos críticos, como a crise energética na Europa após a invasão da Ucrânia. A TotalEnergies também projeta um aumento de 50% em seus volumes de LNG até 2030.

Riscos e Desafios

Apesar do otimismo, analistas alertam que essa estratégia pode ser arriscada. O crescimento das energias renováveis e a possibilidade de um excesso de oferta no mercado levantam preocupações sobre a viabilidade a longo prazo do LNG. Euan Graham, analista da Ember, destacou que o LNG não pode ser considerado uma solução sustentável, devido a questões ambientais, como vazamentos de metano na cadeia de suprimentos.

A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê que a demanda por gás deve atingir um platô até o final da década, mesmo com um aumento de 50% na capacidade de exportação global. A IEA também alertou que a transição acelerada para energias limpas pode exacerbar um possível excesso de oferta no mercado de LNG.

Perspectivas Futuras

Os investimentos em LNG são parte de uma estratégia mais ampla das empresas de petróleo para diversificar seus portfólios. No entanto, a necessidade de disciplina de capital é crucial, já que projetos de LNG podem ter uma duração de 30 a 40 anos. Maurizio Carulli, analista da Quilter Cheviot, enfatizou que as empresas precisam garantir que esses investimentos sejam rentáveis, mesmo em um cenário de demanda em declínio após 2040.

Com a crescente pressão para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, o futuro do LNG permanece incerto. As empresas de petróleo devem equilibrar suas apostas em LNG com a necessidade de se adaptarem a um mundo cada vez mais voltado para a energia limpa.

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