- O mercado de previdência complementar aberta registrou captação líquida negativa de R$ 3,1 bilhões em junho de 2025.
- Esse resultado representa uma queda de 170,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
- Os prêmios e contribuições totalizaram R$ 8,2 bilhões, uma retração de 44,9% em comparação a junho de 2024.
- Os resgates aumentaram 7,6%, totalizando R$ 11,4 bilhões.
- A incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre planos VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) gerou incertezas e complicou o ambiente regulatório.
O mercado de previdência complementar aberta enfrenta um cenário desafiador, com uma captação líquida negativa de R$ 3,1 bilhões em junho de 2025, conforme dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). Este resultado representa uma queda de 170,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, com resgates aumentando e prêmios em queda.
Os prêmios e contribuições totalizaram R$ 8,2 bilhões, uma retração de 44,9% em comparação a junho de 2024. Em contrapartida, os resgates subiram 7,6%, alcançando R$ 11,4 bilhões. Atualmente, existem cerca de 13,6 milhões de planos de previdência aberta no Brasil, sendo 62% do tipo VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).
A recente incidência do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre os planos VGBL gerou incertezas no setor. Um decreto de maio de 2025 estabeleceu a cobrança de 5% de IOF sobre aportes que ultrapassassem R$ 300 mil em uma mesma seguradora. Essa medida foi posteriormente derrubada pelo Congresso, mas restituída em julho pelo STF, complicando ainda mais o ambiente regulatório.
Impactos para os Investidores
Especialistas alertam que a mudança na tributação exige uma reavaliação das estratégias de investimento. Camila Iensen, da Monte Bravo, destaca que os investidores precisam organizar seus aportes de forma estratégica, respeitando os limites anuais. Amâncio Paladino, da XP Vida e Previdência, aponta que o tempo necessário para que o rendimento do VGBL supere o imposto pode chegar a seis anos ou mais, dependendo da rentabilidade.
A nova regra também impacta o planejamento sucessório, levando clientes a reconsiderar suas estratégias. Gleisson Rubin, da MAG, exemplifica que um aporte de R$ 1 milhão pode resultar em R$ 20 mil de IOF, o que impede o investidor de usufruir dos benefícios de uma aplicação de longo prazo sobre esse montante.
Expectativas Futuras
A Fenaprevi ressalta que a manutenção do IOF no VGBL afeta especialmente aqueles que dependem do produto como complemento à previdência pública. O setor espera discutir medidas de incentivo para aumentar a atratividade do produto. Rubin também destaca a dificuldade de contabilizar aportes em diferentes instituições, uma vez que não há integração de dados entre elas. A situação permanece incerta, com desafios significativos à frente para o mercado de previdência.
Entre na conversa da comunidade