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Produtor argentino descarta 140 toneladas de tomate em protesto contra contrabando

Agricultores de Salta enfrentam crise severa, descartando colheitas e lutando contra contrabando que ameaça a viabilidade da horticultura

Um caminhão carregado com todo o tomate que será descartado, segundo produtor (Foto: Reprodução)
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  • Agricultores de Salta, Argentina, enfrentam uma crise no setor hortícola, com queda nos preços e aumento dos custos de produção.
  • Fernando Ortiz, produtor local, relata que muitos estão descartando colheitas devido à concorrência desleal com produtos contrabandeados da Bolívia.
  • Entre janeiro e agosto deste ano, o país recebeu 7.633 toneladas de tomate, principalmente do Chile, enquanto produtos contrabandeados são vendidos a preços muito baixos.
  • Ortiz reduziu pela metade sua produção e afirma que não consegue cobrir os custos, com o preço do caixote de tomate a R$ 2.500,00 e o de berinjela a R$ 4.000,00.
  • A importação de bananas também aumentou, com a Argentina recebendo 311.686 toneladas em 2025, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior.

Os agricultores de Salta, na Argentina, enfrentam uma crise insustentável no setor hortícola, marcada pela queda nos preços e pelo aumento dos custos de produção. Fernando Ortiz, um dos produtores locais, relata que muitos estão descarteando colheitas devido à concorrência desleal com produtos contrabandeados da Bolívia. “É impossível competir com o dobro dos custos”, afirma Ortiz, que já descartou 140 toneladas de tomate e 60 toneladas de berinjela.

A situação se agrava com a entrada de 7.633 toneladas de tomate no país entre janeiro e agosto deste ano, a maior parte vinda do Chile. Embora não haja registros oficiais de importação da Bolívia, produtores denunciam que mercadorias contrabandeadas estão sendo vendidas a preços muito inferiores. Ortiz destaca que os custos de insumos e mão de obra, que são em dólar, tornam a horticultura inviável. “Entram produtos por menos da metade do valor”, diz.

A temporada de colheita, que termina em agosto, trouxe desafios adicionais. Ortiz relata que reduziu pela metade sua produção devido à falta de viabilidade econômica. “Não cobrimos nem o custo de produção”, lamenta. O preço do caixote de tomate está em 2.500 pesos, enquanto o de berinjela chega a 4.000 pesos. A qualidade dos produtos também caiu, pois muitos agricultores estão reduzindo o uso de fertilizantes e mão de obra.

Além disso, a importação de bananas também aumentou, com a Argentina recebendo 311.686 toneladas de diversos países neste ano, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior. Ortiz tenta diversificar sua produção, utilizando parte da safra para fazer tomates envasados, mas isso não é suficiente para compensar as perdas. A situação é crítica, e muitos produtores estão se sentindo desamparados diante da falta de apoio político e da concorrência desleal.

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