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ESG enfrenta desafios distintos nos Estados Unidos e no Brasil, apontam analistas

Órgãos reguladores brasileiros avançam em normas ESG, enquanto empresas se comprometem com sustentabilidade em meio a incertezas globais

Luciana Dyniewicz, mediadora, Carolina Bueno, Fernanda Claudino, Jéssica Bastos e Maria Emília Peres (Foto: Helcio Nagamine/Estadão)
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  • A governança climática nas empresas enfrenta desafios, especialmente nos Estados Unidos, após a saída do país do Acordo de Paris e a pressão sobre a BlackRock para abandonar o termo ESG.
  • No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) implementou regras para relatórios de sustentabilidade, enquanto a Superintendência de Seguros Privados (Susep) introduziu diretrizes para gerenciamento de riscos climáticos.
  • As regras S1 e S2 da CVM exigem que empresas listadas na B3 apresentem relatórios com foco financeiro, promovendo maior transparência sobre riscos de sustentabilidade.
  • A Susep criou um grupo de trabalho para discutir demandas do setor e propõe rotular produtos sustentáveis para combater o greenwashing.
  • Um estudo da Deloitte indica que sessenta e dois por cento das empresas brasileiras alinham suas estratégias de ESG aos negócios, um aumento significativo em relação a 2023.

A governança climática nas empresas enfrenta desafios significativos, especialmente nos Estados Unidos, onde a saída do país do Acordo de Paris e a pressão sobre a BlackRock para abandonar o termo ESG geraram incertezas. A gestora de ativos, em resposta a clientes ligados ao setor de petróleo, deixou de usar o termo, refletindo uma resistência crescente às regras de divulgação climática propostas pela SEC, órgão regulador do mercado de capitais.

No Brasil, a situação é diferente. Órgãos reguladores estão avançando na criação de normas ESG, com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) implementando regras para relatórios de sustentabilidade. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) também introduziu diretrizes para o gerenciamento de riscos climáticos, exigindo que seguradoras divulguem relatórios anuais sobre esses riscos.

A professora Fernanda Claudino, da FGV e USP, destaca que, apesar dos retrocessos globais, o Brasil apresenta avanços significativos. As regras S1 e S2 da CVM exigem que empresas listadas na B3 apresentem relatórios com viés financeiro, alinhando-se a uma demanda global por maior transparência sobre riscos de sustentabilidade.

A Susep, desde 2022, tem intensificado sua atenção à pauta ESG, criando um grupo de trabalho para discutir com seguradoras e o governo as demandas do setor. Uma proposta em discussão visa rotular produtos sustentáveis, combatendo o greenwashing e assegurando entregas efetivas.

A sócia da Deloitte, Maria Emília Peres, aponta que 62% das empresas brasileiras já alinham suas estratégias de ESG aos negócios, um aumento significativo em relação a 2023, quando esse número era de 26%. Essa mudança indica um compromisso crescente do setor privado com a sustentabilidade, mesmo em um cenário de incertezas.

Empresas como Natura, Petrobras e Vale têm se destacado em suas iniciativas ESG, investindo em práticas sustentáveis e na neutralização de emissões. A diretora de Riscos e Compliance do Grupo Globo, Carolina Bueno, ressalta a importância de decisões pragmáticas e inteligentes, enfatizando a necessidade de priorizar investimentos que tragam resultados concretos.

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