- O leilão de linhas de transmissão, com investimentos de R$ 7 bilhões, não contará com a participação de Neoenergia e Energisa.
- Ambas as empresas alegam que a alta taxa de juros e a baixa expectativa de retorno inviabilizam sua participação.
- O leilão, programado para outubro, oferecerá 11 lotes para a construção e manutenção de 1.178 quilômetros de linhas e 4.400 megawatts (MW) em capacidade de transformação, abrangendo 13 estados.
- Outras empresas, como Engie, ISA Energia Brasil e Alupar, estão considerando participar, com a CPFL sendo a mais provável.
- Parte dos lotes depende de uma decisão do Ministério de Minas e Energia sobre contratos da MEZ Energia, que não cumpriu prazos.
O leilão de linhas de transmissão, com investimentos estimados em R$ 7 bilhões, não contará com a participação de duas grandes empresas do setor, Neoenergia e Energisa. Ambas as companhias sinalizaram que a alta taxa de juros e a baixa expectativa de retorno tornam a participação no certame remota. O leilão, programado para outubro, prevê a oferta de 11 lotes para a construção e manutenção de 1.178 quilômetros de linhas, além de 4.400 megawatts (MW) em capacidade de transformação, abrangendo 13 estados.
O diretor financeiro da Energisa, Mauricio Botelho, comentou que o atual cenário econômico exige uma reflexão sobre a necessidade de expansão no setor. Por sua vez, o presidente da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, destacou que, embora a decisão final ainda não tenha sido tomada, os lotes disponíveis não atendem aos critérios de retorno desejados pela empresa, que busca um retorno de dois dígitos.
Avaliação de Outras Empresas
Enquanto Neoenergia e Energisa se afastam do leilão, outras empresas, como Engie, ISA Energia Brasil e Alupar, estão avaliando a viabilidade de participação. A CPFL é a candidata mais provável, com seu presidente, Gustavo Estrella, afirmando que algumas linhas se encaixam na estratégia da empresa, que já possui mais de 10 contratos de concessão.
Apesar das dificuldades impostas pelo custo de capital, o leilão representa uma oportunidade para as transmissoras renovarem seus portfólios, especialmente com a expectativa de queda na receita com o término de concessões a partir de 2030. A Taesa, embora ainda indecisa, também está atenta às oportunidades de curto prazo.
Dependência de Decisões do MME
Parte dos lotes a serem leiloados depende de uma decisão do Ministério de Minas e Energia (MME) sobre a extinção de contratos da MEZ Energia, que não cumpriu prazos estabelecidos. O MME acionou o Tribunal de Contas da União (TCU), que abriu um processo de solução consensual. A versão final do edital deve ser aprovada pela Aneel até o final de setembro.
Além disso, um lote no Rio Grande do Sul, que seria leiloado em 2024, foi reincluído após alterações em sua localização devido a enchentes na região. A Hitachi Energy já se prepara para o certame, com o presidente da empresa no Brasil, Glauco Freitas, afirmando que o custo de capital será um fator crucial para os investidores.
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