- Representantes do Ministério da Fazenda e do Banco Central se opuseram a um projeto de lei que propõe a criação de uma reserva de bitcoin pelo governo brasileiro.
- A proposta, apresentada pelo deputado Eros Biondini (PL-MG), busca diversificar os ativos do Tesouro Nacional.
- O subsecretário da Dívida Pública, Daniel Leal, destacou os riscos elevados e a alta volatilidade do bitcoin, que inviabiliza seu uso como ativo de reserva.
- Luis Guilherme Siciliano, do Banco Central, afirmou que os criptoativos não atendem aos critérios de segurança e liquidez exigidos para reservas.
- Apesar da resistência, o chefe de gabinete do vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu a proposta, considerando o bitcoin uma alternativa para fortalecer as reservas internacionais.
Representantes do Ministério da Fazenda e do Banco Central manifestaram-se contra um projeto de lei que propõe a criação de uma reserva de bitcoin pelo governo brasileiro. A proposta, apresentada pelo deputado Eros Biondini (PL-MG), visa diversificar os ativos financeiros do Tesouro Nacional e proteger as reservas internacionais de flutuações cambiais.
Durante uma sessão da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara, Daniel Leal, subsecretário da Dívida Pública, destacou que a proposta apresenta riscos elevados. Ele afirmou que a volatilidade do bitcoin ainda é muito alta, o que inviabiliza seu uso como ativo de reserva. Além disso, Leal alertou que a medida poderia confundir as atribuições do Banco Central e do Tesouro, criando um fundo não previsto na legislação atual.
Luis Guilherme Siciliano, do Banco Central, também se posicionou contra a proposta, ressaltando que os criptoativos não atendem aos critérios de segurança e liquidez exigidos para reservas de bancos centrais. Ele citou um estudo do Banco Mundial que sugere que, para serem adotadas como reservas, as criptomoedas precisariam de maior liquidez e menor volatilidade.
Divergências no Governo
Apesar da resistência, houve vozes favoráveis à proposta. Pedro Henrique Guerra, chefe de gabinete do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), defendeu o bitcoin como um “ouro melhorado”. Ele argumentou que a criptomoeda poderia gerar novas fontes de receita e fortalecer as reservas internacionais do Brasil.
O projeto ainda precisa passar por comissões na Câmara antes de ser votado no plenário. Se aprovado, seguirá para o Senado e, posteriormente, para a sanção ou veto do presidente Lula (PT). A discussão sobre a adoção de criptomoedas no Brasil continua a ser um tema polêmico, refletindo um cenário global em transformação.
Entre na conversa da comunidade