- A indústria de máquinas e equipamentos no Brasil enfrenta uma crise devido ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos.
- A Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) estima a perda de 16 mil empregos, com São Paulo sendo o estado mais afetado, prevendo 11 mil demissões.
- A empresa Engemasa, localizada em São Carlos (SP), já demitiu 10% de sua força de trabalho devido à queda nas encomendas.
- Outros estados, como Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro, também sentirão os efeitos, embora em menor escala.
- O governo anunciou o Plano Brasil Soberano, mas os pacotes de socorro ainda não chegaram a tempo para evitar cortes nas empresas.
A indústria de máquinas e equipamentos no Brasil enfrenta uma crise severa devido ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos, que pode resultar na perda de 16 mil empregos. A Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) alerta que São Paulo será o estado mais afetado, com a previsão de 11 mil demissões.
O impacto é significativo, especialmente em setores que dependem de exportações. Maria Cristina Zanella, diretora executiva da Abimaq, explica que a maioria das vendas é feita entre empresas do mesmo grupo, dificultando a substituição de mercados. Em áreas como máquinas para construção civil, até 80% das vendas são intercompany. A exclusão de produtos isentos da taxação fará com que máquinas e equipamentos representem cerca de 20% dos itens afetados.
As empresas estão adotando medidas drásticas. A Engemasa, de São Carlos (SP), já cortou 10% de sua força de trabalho devido à queda nas encomendas. Com 80% de sua receita anual de R$ 250 milhões oriunda de exportações, metade destinada aos EUA, a empresa parou de receber pedidos após o anúncio das tarifas. João Baroni, diretor-geral da Engemasa, afirmou que a incerteza nos custos levou à decisão de demitir.
Efeitos Regionais
Além de São Paulo, outros estados também sentirão os efeitos. Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro estão entre os mais impactados, embora em menor escala. Estados como Sergipe e Pernambuco têm uma dependência ainda maior das exportações para os EUA, com 74% e 72% de suas vendas externas, respectivamente.
Os pacotes de socorro do governo ainda não chegaram a tempo para evitar cortes. O Plano Brasil Soberano, anunciado recentemente, pode levar semanas para ser implementado, um prazo que muitas empresas não têm. A situação é crítica, e as demissões podem se intensificar se as tarifas forem mantidas.
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