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Cresce o aluguel e diminui o número de casas próprias no Brasil, aponta Censo

Cresce o número de domicílios alugados no Brasil, enquanto a compra de imóveis se torna cada vez mais inacessível para a população

Vista da Praia de Icaraí: bairro é valorizado por quem busca imóvel de aluguel pela oferta no número de serviços e transporte público — Foto: Roberto Moreyra/26-9-2023
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  • Em 2024, 23% dos domicílios brasileiros são alugados, um aumento de 45,4% desde 2016.
  • A porcentagem de casas próprias caiu para 67,6%.
  • O número de domicílios alugados subiu de 12,3 milhões em 2016 para 17,8 milhões em 2024.
  • A concentração de renda e a inflação dificultam o acesso à compra de imóveis, segundo o analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), William Kratochwill.
  • O aumento de 18,6% nas unidades domésticas unipessoais reflete mudanças demográficas, como o envelhecimento da população e a maior autonomia das mulheres.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo IBGE, revelou que em 2024 23% dos domicílios brasileiros são alugados, um aumento de 45,4% desde 2016. O percentual de casas próprias caiu para 67,6%, refletindo uma mudança significativa no perfil habitacional do país.

Os dados mostram que o número de domicílios alugados saltou de 12,3 milhões em 2016 para 17,8 milhões em 2024. Essa tendência é observada em quase todas as regiões do Brasil, indicando um fenômeno que vai além de questões locais. Segundo o analista do IBGE, William Kratochwill, a concentração de renda é um fator crucial, pois cada vez menos pessoas têm acesso à compra de imóveis.

Embora o rendimento médio da população tenha aumentado, isso não se traduziu em maior acesso à casa própria. Kratochwill destaca que a inflação e os baixos salários dificultam a acumulação de patrimônio. A falta de políticas públicas eficazes para a habitação também contribui para essa situação.

Desafios do Aluguel

Marilete Lima, de 55 anos, é um exemplo de quem enfrenta essas dificuldades. Com uma renda de um salário mínimo, ela paga R$ 1.300 de aluguel há mais de 30 anos e não consegue realizar o sonho da casa própria. Tentou simular financiamentos, mas os altos juros tornam a compra inviável.

A pesquisa também revela que a maioria da população reside em casas, que representam 84,5% dos domicílios, enquanto os apartamentos somam 15,3%. No entanto, entre 2016 e 2024, o número de apartamentos cresceu 29,8%, enquanto o de casas aumentou apenas 13,8%. Essa mudança está ligada à busca por moradias em áreas urbanas, onde a construção de apartamentos se torna uma solução mais viável.

Mudanças Demográficas

Outro dado relevante da PNAD é o aumento de 18,6% nas unidades domésticas unipessoais, que são compostas por apenas um morador. Esse crescimento é atribuído ao envelhecimento da população e à maior autonomia das mulheres. Estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais apresentam uma maior concentração de domicílios unipessoais, refletindo transformações sociais significativas.

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