- O Ibovespa subiu mais de 2% nesta sexta-feira, alcançando 137.503,51 pontos, após o discurso de Jerome Powell no simpósio de Jackson Hole.
- O discurso aumentou as expectativas de um corte na taxa de juros nos Estados Unidos, com probabilidade de quase 90% para a reunião de setembro.
- O dólar caiu 1,10%, cotado a R$ 5,417 na compra e R$ 5,418 na venda.
- Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 1,90%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq Composite avançaram 1,56% e 1,88%, respectivamente.
- Especialistas destacaram que o discurso de Powell foi mais dovish (favorável a cortes de juros) do que o esperado, sinalizando um cenário positivo para o Brasil.
O Ibovespa registrou uma alta de mais de 2% nesta sexta-feira, impulsionado pelas expectativas de um corte na taxa de juros nos Estados Unidos após o discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, no simpósio de Jackson Hole. Por volta das 11h50 (horário de Brasília), o índice alcançou 137.503,51 pontos, revertendo a trajetória de queda da semana.
O dólar, por sua vez, caiu 1,10%, cotado a R$ 5,417 na compra e R$ 5,418 na venda. Nos mercados norte-americanos, o Dow Jones subiu 1,90%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq Composite avançaram 1,56% e 1,88%, respectivamente. Todos os setores do S&P 500 apresentaram ganhos, com destaque para o setor imobiliário, que subiu 1,8%.
Expectativas de Corte de Juros
O discurso de Powell indicou que a política monetária dos EUA pode necessitar de ajustes, levando os operadores a precificarem uma probabilidade de quase 90% de um corte na taxa de juros na reunião de setembro. Antes do discurso, essa expectativa era de cerca de 75%. Apesar da possibilidade de cortes, Powell enfatizou a importância dos próximos relatórios de emprego e inflação.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, destacou que a fala de Powell sinalizou a necessidade de atenção imediata em relação à taxa de desemprego, que estaria se distanciando do nível de equilíbrio. Ele também mencionou que o Fed tem tratado o impacto das tarifas como algo pontual, sem prever consequências inflacionárias duradouras.
Reações do Mercado
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, observou que o discurso trouxe um novo otimismo ao mercado, que aguarda uma retomada do ciclo de cortes de juros. Powell também buscou tranquilizar os investidores sobre interferências políticas nas decisões do banco central, afirmando que as decisões serão baseadas em dados econômicos.
Thiago Calestine, economista da Dom Investimentos, comentou que o discurso de Powell foi mais dovish do que o esperado, sugerindo uma abordagem mais leve em relação à manutenção da taxa de juros. William Castro Alves, da Avenue, ressaltou que o Fed vê a inflação como potencialmente temporária e que os riscos de desaceleração do mercado de trabalho aumentaram, reforçando a expectativa de um corte na próxima reunião.
O cenário atual é positivo para o Brasil, com a taxa de juros doméstica ainda elevada, aumentando a atratividade para investidores internacionais. O fluxo de capital estrangeiro continua a ser influenciado pela política monetária americana, que se mantém como um dos principais vetores para o mercado.
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