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Startups de tecnologia nos Estados Unidos adotam jornada exaustiva da China

Startups nos EUA adotam modelo 996, gerando debates sobre saúde e produtividade em um ambiente de trabalho cada vez mais exigente

Pedestres em região turística de San Francisco, na Califórnia; startups da 'Bay Area' começam a incorporar jornadas de trabalho exaustivas (Foto: Justin Sullivan - 30.abr.2024/Getty Images via AFP)
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  • O modelo de trabalho “996”, que consiste em jornadas de nove horas às vinte e uma horas, seis dias por semana, está sendo adotado por startups nos Estados Unidos, especialmente na Bay Area.
  • Investidores e fundadores defendem essa prática como essencial para o crescimento rápido em setores competitivos, como inteligência artificial.
  • A CEO de uma startup de logística, Amrita Bhasin, afirmou que seguir o modelo 996 é quase uma necessidade nos primeiros anos de uma empresa.
  • O sócio da Index Ventures, Martin Mignot, declarou que esse modelo se tornou “o novo padrão” entre startups, com muitos fundadores adotando rotinas rigorosas para maximizar a produtividade.
  • Apesar das críticas e dos riscos à saúde dos trabalhadores, a pressão para adotar o modelo 996 se espalha por outras regiões, como Nova York e equipes europeias.

O modelo de trabalho “996”, que implica em jornadas de 9h às 21h, seis dias por semana, está se espalhando entre startups nos Estados Unidos, especialmente na Bay Area. Apesar das críticas sobre a precarização do trabalho, investidores e fundadores defendem essa prática como essencial para o crescimento acelerado em setores competitivos, como a inteligência artificial.

Amrita Bhasin, CEO de uma startup de logística, afirmou à revista Wired que, nos primeiros anos de uma empresa, seguir o modelo 996 é quase uma necessidade. Martin Mignot, sócio da Index Ventures, declarou que esse modelo se tornou “o novo padrão” entre as startups, enfatizando que cada minuto fora do produto representa um custo elevado. Ele citou exemplos de fundadores que adotaram rotinas rigorosas, como mudar suas empresas para locais isolados e limitar férias para maximizar a produtividade.

Crescimento e Comprometimento

A pressão para adotar o modelo 996 não se limita ao Vale do Silício. Segundo Mignot, essa cultura de trabalho intenso também está presente em Nova York e em equipes europeias. Ele observou que muitas empresas de capital de risco estão se adaptando a esse ritmo, com investidores trabalhando aos finais de semana. Essa dinâmica atrai especialmente jovens sem responsabilidades familiares, dispostos a priorizar suas carreiras.

Adrian Kinnersley, especialista em recrutamento, destacou que a disposição para trabalhar até 72 horas por semana está se tornando um critério comum na seleção de candidatos. Ele observou que a Califórnia, com sua legislação trabalhista favorável, é o epicentro dessa cultura, que, embora em desacordo com as leis trabalhistas, continua a prosperar.

Críticas e Consequências

Apesar da popularidade do modelo 996, ele enfrenta críticas severas. Na China, onde foi amplamente adotado, o regime gerou casos de exaustão extrema e até mortes, levando o Supremo Tribunal Popular a declarar a prática ilegal em 2021. No entanto, muitas empresas ainda o utilizam informalmente, refletindo a dificuldade de romper com uma cultura que valoriza a dedicação extrema.

Esse cenário resultou em um êxodo de profissionais de grandes centros urbanos na China, que buscam uma vida menos desgastante. A adoção do modelo 996 nos EUA levanta questões sobre os limites do comprometimento no ambiente de trabalho e os riscos associados a essa pressão por produtividade.

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