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Inflação desacelera e alimentos contribuem para possível deflação no Brasil

Deflação de 0,14% no IPCA-15 reduz expectativas de corte na Selic, que deve se manter em 15% ao ano até 2025

Arroz soltinho (Heitor Feitosa/VEJA.com)
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  • O Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de agosto registrou deflação de 0,14%, superando a expectativa de queda de 0,20%.
  • A inflação acumulada em 12 meses é de 4,86%, próxima da meta de 3% do Conselho Monetário Nacional (CMN).
  • A deflação foi impulsionada pela queda nos preços de alimentos, como arroz e feijão, que devem ter retrações de 3% e 1,75%, respectivamente.
  • A taxa Selic deve permanecer em 15% ao ano até o final de 2025, com a possibilidade de redução eliminada após os dados de deflação.
  • O cenário econômico sugere que a renda fixa continuará atraente para investidores, apesar da bolsa de valores brasileira considerada barata.

O IPCA-15 de agosto registrou uma deflação de 0,14%, superando as expectativas do mercado, que previa uma queda de 0,20%. Este resultado é o mais significativo desde setembro de 2022 e indica uma desaceleração em relação ao aumento de 0,33% observado em julho. A inflação acumulada em 12 meses agora é de 4,86%, próxima da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A deflação foi impulsionada por quedas nos preços de alimentos, como arroz e feijão, que devem apresentar retrações de 3% e 1,75%, respectivamente. Além disso, carnes também devem ter uma redução de 0,44%. Apesar desse cenário positivo, a pressão nos preços dos serviços limitou a magnitude da queda, conforme apontam análises de instituições financeiras como Bradesco e Itaú.

Expectativas para a Selic

Com a deflação abaixo do esperado, as chances de uma redução na taxa Selic ainda em 2023 foram praticamente eliminadas. A expectativa é que a Selic permaneça em 15% ao ano até o final de 2025. O Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter essa taxa na próxima reunião, conforme a ata da última reunião, que destacou a persistência da inflação elevada.

Os economistas projetam que a inflação pode terminar o ano em 4,86%, refletindo uma revisão das expectativas de mercado. A economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natali Victal, observou que o resultado da prévia pode reduzir o ímpeto das revisões baixistas nas projeções para 2025.

Cenário Econômico

O cenário atual sugere que a renda fixa continuará atraente para investidores, mesmo com a bolsa de valores brasileira considerada barata. A relação preço/lucro ainda não é suficiente para atrair um fluxo significativo de investimentos. A pressão persistente nos preços, especialmente no setor de serviços, pode levar a uma ampliação da diferença entre a inflação real e a meta.

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