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Cacau da Bahia promete transformar-se em chocolate apreciado pela rainha Elizabeth II

Produtores de cacau fino em Uruçuca enfrentam desafios com a alta dos preços, reduzindo o foco na qualidade do produto e impactando o mercado

João Tavares defende a produção de cacau fino: 'Não dá para abraçar os dois lados, ou você escolhe qualidade, ou alta produtividade' (Foto: Thiago de Jesus)
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  • Uruçuca, na Bahia, é um importante polo de produção de cacau fino no Brasil.
  • A Fazenda Leolinda, do produtor João Tavares, atende marcas premium de chocolate, como o Chocolate Q.
  • A alta dos preços do cacau, que subiu de US$ 3 mil para US$ 8 mil por tonelada, afetou a produção de cacau fino.
  • Muitos produtores priorizam a quantidade em vez da qualidade, devido à diminuição da diferença de preço entre cacau fino e commodity.
  • A Associação Bean to Bar Brasil, presidida por Bruno Lasevicius, observa que a situação pode ser temporária e que o interesse por cacau fino pode retornar.

O município de Uruçuca, na Bahia, é um importante polo da produção de cacau fino no Brasil. A Fazenda Leolinda, do produtor João Tavares, é um exemplo de cultivo de qualidade, atendendo marcas premium de chocolate, como o Chocolate Q, da chef Samantha Aquim. Este chocolate, que foi degustado pela Rainha Elizabeth II em 2012, destaca-se pela combinação de amêndoas baianas e um design exclusivo do arquiteto Oscar Niemeyer.

Nos últimos dois anos, a alta dos preços da commodity de cacau impactou a produção de cacau fino. As cotações saltaram de US$ 3 mil para US$ 8 mil por tonelada na Bolsa de Nova York, levando muitos produtores a priorizarem a quantidade em detrimento da qualidade. Apesar da demanda por produtos especiais, a diferença de preço entre o cacau fino e o commodity diminuiu, afetando o interesse dos agricultores em manter os padrões de qualidade.

A Associação Bean to Bar Brasil, presidida por Bruno Lasevicius, atua como intermediária entre produtores de cacau fino e fabricantes de chocolate. Lasevicius explica que o chocolate bean to bar é caracterizado pela mínima intervenção industrial, resultando em um produto mais puro. No entanto, com a recente alta nos preços, alguns fornecedores perderam o interesse em produzir cacau fino. Lasevicius acredita que essa situação é temporária e que o interesse retornará com a variação dos preços.

A produtora Juliana Arleo, que cultiva cacau em uma área de 170 hectares, relata que a alta dos preços afetou a valorização do cacau especial. Antes, o preço do cacau fino era o dobro do commodity, mas essa diferença diminuiu. Tavares, por sua vez, observa que, apesar de receber um adicional de US$ 4,5 mil por tonelada de seu cacau especial, a produção de qualidade exige conhecimento e investimento. Ele colhe cerca de 450 quilos de cacau por hectare, superando a média do commodity, que é de 350 quilos.

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