- O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, destacou a urgência de revisar os gastos tributários no Brasil.
- Ele mencionou que os benefícios fiscais podem ultrapassar R$ 800 bilhões anuais, um valor maior que os R$ 564 bilhões registrados oficialmente em 2024.
- Motta afirmou que o país nunca avaliou sistematicamente os incentivos fiscais, tornando essencial medir sua eficiência e contrapartidas.
- A subsecretária de Política Fiscal do Ministério da Fazenda, Débora Freire Cardoso, reconheceu a ineficiência de muitos benefícios e a necessidade de um fluxo de avaliação mais robusto.
- Especialistas acreditam que a revisão das políticas fiscais pode alinhar os incentivos aos objetivos de crescimento econômico e redução da desigualdade no Brasil.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, enfatizou a necessidade de revisar os gastos tributários no Brasil, considerando essa ação uma prioridade para o Congresso. Durante sua fala, Motta destacou que os benefícios fiscais podem ultrapassar R$ 800 bilhões anuais, um valor significativamente maior do que os R$ 564 bilhões registrados oficialmente em 2024. Essa discrepância se deve à nova legislação que exige que as empresas informem à Receita Federal os incentivos e renúncias tributárias que recebem.
Motta argumentou que o país nunca realizou uma avaliação sistemática dos incentivos fiscais concedidos, o que torna essencial medir a eficiência e as contrapartidas dos setores beneficiados. Ele propôs que o debate sobre os gastos tributários seja tratado como uma política de Estado, envolvendo tanto o Executivo quanto o Legislativo, além de partidos da base e da oposição. O presidente da Câmara acredita que essa revisão pode unir diferentes polos políticos em torno da eficiência do Estado brasileiro.
Desafios e Oportunidades
A discussão sobre a revisão dos benefícios fiscais foi reforçada em um evento recente, onde especialistas e representantes do governo abordaram a falta de monitoramento e avaliação dos resultados desses incentivos. A subsecretária de Política Fiscal do Ministério da Fazenda, Débora Freire Cardoso, reconheceu que muitos benefícios não são eficientes e que é necessário um fluxo de avaliação mais robusto.
Além disso, o evento destacou a dificuldade em cortar benefícios de empresas que não deveriam ser contempladas, como ocorreu com o programa Perse, que beneficiou empresas de entrega e influenciadores digitais durante a pandemia. A maioria dos incentivos é concedida por lei, limitando a capacidade de intervenção das autoridades tributárias.
Caminhos para a Eficiência
O consultor de Orçamento do Senado, Fernando Moutinho, ressaltou que a atual discussão fiscal representa uma oportunidade para reavaliar a concessão de benefícios, frequentemente dominada por lobbies setoriais. A má distribuição de renda no Brasil, segundo ele, impede o crescimento econômico, tornando a revisão das políticas fiscais essencial para enfrentar esse desafio.
Por fim, especialistas concordam que o Brasil pode utilizar os incentivos fiscais de maneira mais eficiente, alinhando-os aos objetivos de crescimento econômico e redução da desigualdade. Essa interconexão entre as agendas é vista como crucial para o desenvolvimento do país.
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