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Preço do cacau despenca após tarifas de Trump e produtores expressam descontentamento

Pequenos produtores da Bahia enfrentam crise com queda nos preços do cacau e tarifas dos EUA, comprometendo investimentos e a produção

Plantação de cacau em Ebebda, cidade em Camarões (Foto: Daniel Beloumou Olomo - 30.nov.24/AFP)
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  • Pequenos produtores de cacau na Bahia enfrentam dificuldades devido à queda nos preços do produto, que caiu até R$ 85 por arroba em agosto de 2025.
  • A redução nos preços ocorre após um período de alta em 2023, quando os valores subiram devido à escassez de cacau na África.
  • A presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), Vanuza Barroso, critica a falta de transparência nas negociações e o controle de preços pelas indústrias.
  • Tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos devem causar perdas de R$ 180 milhões à indústria cacaueira brasileira até 2025.
  • A maioria dos pequenos produtores, que representa cerca de 70% da produção nacional, está adiando investimentos em melhorias nas lavouras devido à instabilidade do mercado.

Queda nos preços do cacau afeta pequenos produtores na Bahia

Os pequenos produtores de cacau da Bahia enfrentam dificuldades com a recente queda nos preços do produto, que impacta diretamente suas expectativas de investimento. A situação se agravou após um período de euforia no final de 2023, quando os preços atingiram recordes globais devido à escassez de cacau na África. Agora, com a recuperação das safras em Gana e Costa do Marfim, os valores despencaram, levando a uma redução de até R$ 85 por arroba em agosto, segundo a ANPC.

A insatisfação é palpável entre os agricultores. “Os grandões brigam lá fora e vem bater na gente aqui”, desabafou um agricultor em Ituberá. A presidente da ANPC, Vanuza Barroso, critica a falta de transparência nas negociações, afirmando que as indústrias controlam os preços de forma a beneficiar suas margens. A AIPC, que representa a indústria, admite que a demanda por derivados de cacau está em queda, o que contribui para a desvalorização do produto.

Impacto das tarifas dos EUA

Além da queda nos preços, as tarifas de 50% impostas pelos EUA devem causar perdas significativas à indústria cacaueira brasileira, estimadas em R$ 180 milhões até 2025. O cacau brasileiro, que representa apenas 4% do mercado global, não foi incluído nas isenções, mesmo com a possibilidade de que o produto não tenha produção nos EUA.

Os pequenos produtores, que representam cerca de 70% da produção nacional, estão adiando investimentos em melhorias nas lavouras. Josenilda Silva, de Jitaúna, planejava modernizar sua produção, mas agora suspendeu seus planos. “Os pequenos agricultores são os que mais trabalham, mas o retorno nem sempre é leal com a gente”, lamentou.

Desafios da cadeia produtiva

A dinâmica do mercado cacaueiro no Brasil é complexa. As indústrias, que frequentemente importam cacau da África, enfrentam ociosidade de até 18% em suas fábricas. A AIPC justifica que a redução na moagem se deve à falta de demanda, exacerbada pelas tarifas americanas. A situação é crítica, pois a indústria já está importando mais cacau para atender à demanda interna.

Os produtores sentem-se em desvantagem nas negociações, uma vez que a maioria não consegue esperar por melhores preços. “Se bate a fome, tem que vender”, afirmou José Luis Fagundes, um dos agricultores. A falta de organização e a fragilidade econômica dificultam a resistência dos pequenos produtores frente às grandes indústrias.

A crise no setor cacaueiro brasileiro reflete um ciclo de incertezas que pode comprometer a recuperação da produção, que ainda se recupera dos danos causados pela praga da vassoura-de-bruxa nas décadas passadas.

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