- A GWM inaugurou uma fábrica em Iracemápolis, São Paulo, para produzir o SUV Haval H6, com 55% de automação e 340 funcionários diretos.
- A BYD também abriu uma unidade em Camaçari, na Bahia, focada na produção de modelos elétricos, como o Dolphin Mini.
- No primeiro semestre de 2025, as importações de veículos chineses aumentaram para 134 mil, representando seis em cada dez automóveis importados.
- A produção local das montadoras chinesas ainda é parcial, com a BYD utilizando o sistema semidesmontado (SKD) e a GWM o sistema completamente desmontado (CKD).
- A GWM planeja expandir sua atuação na América Latina, com capacidade de produção de até 50 mil carros por ano na nova unidade.
Logo na entrada da nova fábrica da GWM em Iracemápolis, São Paulo, pilhas de peças da Ásia aguardam montagem. Em breve, elas darão vida ao SUV Haval H6. O processo de produção inclui soldagem, controle de qualidade e pintura, com 55% de automação e 340 funcionários diretos. A BYD também inaugurou uma unidade em Camaçari, na Bahia, onde produzirá modelos elétricos, como o Dolphin Mini, que lidera as vendas na categoria.
Essas fábricas representam uma nova ofensiva chinesa no setor automotivo brasileiro, substituindo montadoras tradicionais e reposicionando a cadeia produtiva. No primeiro semestre de 2025, 134 mil veículos chineses foram importados, um aumento significativo em relação aos 20 mil de 2020. Hoje, seis em cada dez automóveis importados são chineses, dominando o mercado de elétricos e híbridos.
Historicamente, a presença de montadoras chinesas no Brasil foi limitada. Marcas como Lifan não conseguiram se estabelecer, enquanto Chery e JAC tentaram mudar a percepção negativa. A verdadeira mudança começou em 2023 com a chegada da BYD e da GWM, que trouxeram produtos competitivos e tecnologia avançada. O consultor automotivo Milad Kalume Neto destaca que essas empresas estão determinadas a impactar o mercado.
A produção local ainda é parcial, com a BYD utilizando o sistema SKD (semidesmontado) e a GWM o CKD (completamente desmontado). Para um veículo ser considerado nacional, deve ter pelo menos 55% de peças e mão de obra locais. A pressão da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores resultou na antecipação da alíquota máxima de 35% para importações de veículos elétricos e híbridos.
Com a crescente presença chinesa, montadoras concorrentes aceleram o lançamento de novos modelos. A GWM planeja expandir sua atuação na América Latina, com a unidade de Iracemápolis tendo capacidade para 50 mil carros por ano. O presidente da GWM International, Parker Shi, afirmou que este é apenas o começo, com planos de alcançar até 300 mil veículos produzidos na região. A transformação do mercado automotivo brasileiro está em curso, exigindo adaptação de toda a indústria.
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