- O ETF ARGE11 foi lançado recentemente, replicando um índice de empresas argentinas negociadas nos Estados Unidos.
- A gestora Investo acredita que o ETF pode aproveitar um novo ciclo de reformas na Argentina sob o governo de Javier Milei.
- O índice de referência, MarketVector US Listed Argentina Index, valorizou 180,5% desde janeiro de 2023.
- Antes do ARGE11, investidores brasileiros acessavam empresas argentinas pelo BDR ARGT39, que teve ganhos de 149% no mesmo período.
- O cenário de investimentos na Argentina é marcado por visões divididas entre investidores, com preocupações sobre riscos políticos e econômicos.
Chegou ao mercado na semana passada o ETF ARGE11, que replica um índice de ativos de empresas argentinas negociados nos Estados Unidos. A Investo, gestora responsável, acredita que o ETF pode capturar os efeitos de um novo ciclo de reformas na Argentina, sob o governo de Javier Milei. O índice de referência, o MarketVector US Listed Argentina Index, teve uma valorização de 180,5% desde janeiro de 2023.
Antes do lançamento do ARGE11, investidores brasileiros já podiam acessar empresas argentinas por meio do BDR ARGT39, que replicava um ETF negociado no exterior e acumulou ganhos de 149% no mesmo período. O valor de mercado dos ADRs das 15 companhias incluídas no novo ETF soma US$ 49,2 bilhões. O investimento na Argentina ocorre em um cenário de visões divididas entre investidores institucionais, que demonstram tanto otimismo quanto cautela devido a riscos políticos e econômicos.
Reformas e Desafios
As reformas propostas por Milei incluem a autonomia do Banco Central, a adoção de câmbio flutuante e a flexibilização de leis trabalhistas. Desde sua posse em 10 de dezembro de 2023, o índice S&P Merval valorizou 114,66% em pesos, embora tenha caído 41,78% em dólares. Recentemente, o clima político se complicou com o vazamento de áudios que implicam altos funcionários em um suposto esquema de corrupção, gerando protestos no país.
O relatório do Morgan Stanley destaca o interesse dos investidores internacionais nas reformas estruturais, mas também aponta preocupações com riscos cambiais e fragilidade externa. A pesquisa do Bank of America revela que gestores de fundos estão divididos entre otimismo e uma postura neutra em relação aos ativos argentinos.
Perspectivas Futuras
Para o Itaú BBA, o apetite por investimentos na Argentina está contido, com foco na continuidade das políticas fiscais e monetárias. A perspectiva de curto prazo para os mercados argentinos permanece pressionada, e muitos investidores preferem aguardar a estabilização das preocupações políticas e cambiais.
Danilo Moreno, especialista em ETFs da Investo, ressalta que o ARGE11 oferece uma forma diversificada e regulada de exposição ao mercado argentino, permitindo que investidores evitem riscos operacionais locais. O ETF surge como uma alternativa em um cenário de volatilidade, oferecendo uma maneira prática de lucrar com o potencial de recuperação da economia argentina.
Entre na conversa da comunidade