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Aumenta a cautela no crédito com a volta do apetite a risco, afirma CEO do BV

Banco BV adota concessão de crédito mais seletiva devido à alta da taxa Selic e aumento da inadimplência, mantendo cautela financeira

Escritório do BV em São Paulo, com foco na solidez dos resultados em um cenário desafiador no crédito (Foto: Reprodução)
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  • O Banco BV anunciou uma nova estratégia de concessão de crédito, adotando uma postura mais seletiva.
  • A decisão é uma resposta à alta da taxa Selic, que está em 15% ao ano, e ao aumento da inadimplência.
  • O CEO Gustavo Sousa afirmou que a análise criteriosa do rating dos clientes é essencial para ajustar a concessão de crédito.
  • Apesar da cautela, o banco registrou um lucro líquido de R$ 459 milhões no segundo trimestre, com um crescimento de 26,5% em relação ao ano anterior.
  • A taxa de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,5%, mas Sousa acredita que a seletividade na concessão de crédito é a causa desse aumento.

O Banco BV, fundado pelo grupo Votorantim, anunciou uma nova estratégia de concessão de crédito, adotando uma postura mais seletiva em resposta à alta da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, e ao aumento da inadimplência. O CEO Gustavo Sousa destacou que, em momentos de crise, o BV é conhecido por ser o primeiro a restringir o crédito e, por isso, está se antecipando a um cenário financeiro desafiador.

Durante visitas a lojistas de veículos usados, Sousa percebeu que a percepção do banco como conservador se reafirma. Com o encarecimento do financiamento, os consumidores enfrentam dificuldades para honrar suas parcelas, elevando o risco de inadimplência. O executivo afirmou que a análise criteriosa do rating dos clientes é fundamental, permitindo ao BV ajustar a concessão de crédito conforme a situação financeira de cada um.

Cautela em um Cenário Desafiador

O aumento do comprometimento da renda das famílias e a queda na confiança do consumidor levaram o BV a restringir a concessão de crédito. Sousa explicou que a modelagem do banco analisa dados individualmente, sem discriminação por classe social, e que a seletividade pode resultar em exigências mais rigorosas, como maior entrada ou prazos reduzidos.

Apesar da cautela, o BV registrou um lucro líquido de R$ 459 milhões no segundo trimestre, um crescimento de 26,5% em relação ao ano anterior. A carteira de crédito cresceu 3,6%, totalizando R$ 91,3 bilhões, com destaque para o financiamento de veículos leves usados, que representa quase metade desse total.

Desafios e Expectativas

Embora o banco tenha visto um aumento na taxa de inadimplência acima de 90 dias, que subiu para 5,5%, Sousa atribui isso à seletividade na concessão de crédito. Ele enfatizou que a estratégia conservadora tem permitido ao BV manter resultados financeiros robustos, mesmo em um ambiente econômico desafiador.

O executivo não prevê uma mudança imediata na política de crédito, mantendo a expectativa de que as condições macroeconômicas continuarão pressionadas nos próximos meses. A mensagem é clara: o foco do BV permanece na cautela e na análise criteriosa, enquanto o cenário econômico se desenrola.

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