- O cenário econômico atual é marcado por altas taxas de juros e crescente inadimplência, levando empresas a buscar alternativas financeiras, como a recuperação judicial.
- O mercado de créditos judiciais se destaca como uma estratégia para gerar fluxo de caixa, com fundos abutres comprando esses créditos.
- Esses fundos, conhecidos como fundos de “special situation”, transformam ativos parados na Justiça em capital, permitindo que empresas em dificuldades financeiras utilizem esses recursos.
- A análise de risco é fundamental para os gestores dos fundos, que descartam a maioria dos processos judiciais analisados.
- Em 2022, os pedidos de recuperação judicial aumentaram 61,8%, totalizando 2.273 solicitações, o maior número desde 2006.
Com as taxas de juros elevadas e a inadimplência crescente, muitas empresas estão buscando alternativas financeiras, como a recuperação judicial. Nesse contexto, o mercado de créditos judiciais se destaca como uma estratégia para obter fluxo de caixa.
Os fundos abutres, ou fundos de “special situation”, estão comprando créditos judiciais de empresas em dificuldades. Esses créditos, que incluem dívidas judiciais e créditos tributários, são considerados “invisíveis” e podem gerar capital imediato para as empresas, mesmo que a um custo. Matheus Matos, sócio da MA7 Negócios, explica que esses fundos buscam transformar ativos que ficam parados na Justiça em capital, permitindo que as empresas utilizem esses recursos.
Para as empresas em recuperação judicial, essa estratégia pode melhorar a saúde financeira e facilitar o processo. Já as empresas em falência podem liberar créditos para pagar credores. Contudo, nem todas as empresas estão dispostas a vender seus créditos, preferindo esperar o resultado dos processos judiciais.
Critérios de Seleção
Os gestores dos fundos não compram qualquer crédito. A análise de risco e a tecnologia são fundamentais para a avaliação dos processos judiciais. Matos destaca que, de cada 100 processos analisados, 99 são descartados. Isso ocorre porque os fundos têm limites de risco e buscam apenas aqueles com potencial de retorno.
Com a média de juros em torno de 25% para pessoas jurídicas, a inadimplência atinge níveis alarmantes, com quase 75% das empresas do país inadimplentes. Em 2022, os pedidos de recuperação judicial aumentaram 61,8%, totalizando 2.273 solicitações, o maior número desde 2006. Empresas como Oi e Gol já recorreram a processos semelhantes para reestruturar suas dívidas.
A busca por soluções financeiras inovadoras, como a venda de créditos judiciais, pode ser uma alternativa viável para empresas que enfrentam dificuldades financeiras, permitindo que elas se reestruturem e continuem operando em um ambiente econômico desafiador.
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