- Ribeirão Preto enfrenta um grave problema de segurança pública devido a um megaesquema criminoso envolvendo a facção PCC.
- Investigações do Ministério Público de São Paulo revelaram a venda de etanol adulterado e lavagem de dinheiro, afetando a economia local.
- A cidade possui 58 usinas e movimenta R$ 95 bilhões, mas o esquema pode ter movimentado até R$ 54 bilhões.
- As operações Carbono Oculto, Tank e Quasar resultaram em 23 mandados de busca e apreensão na região.
- Os líderes do esquema estão foragidos e utilizavam fintechs para ocultar a origem dos recursos, gerando receios entre os produtores locais.
A cidade de Ribeirão Preto, um dos principais polos do setor sucroenergético do Brasil, enfrenta um grave problema de segurança pública. Recentes investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) revelaram um megaesquema criminoso que envolve a facção PCC na venda de etanol adulterado e lavagem de dinheiro, afetando diretamente a economia local.
Com 58 usinas e uma movimentação de R$ 95 bilhões, Ribeirão Preto, que abriga cerca de 700 mil habitantes, se tornou o epicentro de atividades ilícitas que podem ter movimentado até R$ 54 bilhões. As operações Carbono Oculto, Tank e Quasar resultaram em 23 mandados de busca e apreensão na região, incluindo cidades vizinhas como Pontal e Barretos. As investigações apontam que o PCC adquiriu usinas em dificuldades financeiras, como a Usina Carolo, para controlar a produção e distribuição de etanol.
Os líderes do esquema, Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, estão foragidos e são acusados de utilizar fintechs para ocultar a origem criminosa dos recursos. A prática de pagar valores acima do mercado por cana-de-açúcar chamou a atenção de outros produtores, que começaram a denunciar as usinas envolvidas. O etanol produzido era misturado com metanol importado ilegalmente, sendo vendido como se fosse puro.
A situação gerou receios entre os produtores locais, que temem o impacto das investigações em suas atividades. Paulo Junqueira, um dos fornecedores da Carolo, expressou preocupação com o fechamento da usina, que emprega mais de 2 mil pessoas. Apesar das investigações, as usinas continuam operando, e a Receita Federal não tem interesse em interromper as atividades legais, visando evitar a perda de empregos.
A fintech BK Instituição de Pagamento S.A. é central no esquema, movimentando R$ 17,7 bilhões em transações ligadas à organização criminosa. A cidade, conhecida como a “Califórnia brasileira”, vive um clima de silêncio entre os empresários do setor, que temem represálias do crime organizado. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também optou por não se manifestar sobre o assunto.
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