- Quase 47% das empresas dos Estados Unidos redirecionaram investimentos planejados para a China, principalmente para o Sudeste Asiático.
- O dado é o maior percentual desde 2017 e reflete as crescentes tensões comerciais entre os dois países.
- A pesquisa da American Chamber of Commerce em Xangai foi realizada entre 19 de maio e 20 de junho, após uma escalada nas tensões comerciais.
- Apenas 28% dos entrevistados acreditam que suas margens de operação na China em 2024 serão superiores às de suas operações globais.
- A competição no mercado chinês está aumentando, com 41% dos respondentes afirmando que empresas chinesas estão mais avançadas na adoção de inteligência artificial.
BEIJING — Quase 47% das empresas dos EUA redirecionaram investimentos planejados para a China, principalmente para o Sudeste Asiático, segundo a American Chamber of Commerce em Xangai. Este é o maior percentual desde 2017 e reflete as crescentes tensões comerciais entre os dois países.
A pesquisa, realizada entre 19 de maio e 20 de junho, ocorreu após uma escalada nas tensões comerciais e uma breve suspensão de algumas tarifas em meados de maio. Eric Zheng, presidente da AmCham Shanghai, destacou que o prazo de 90 dias para a trégua comercial é insuficiente para o planejamento de cadeias de suprimentos, que exige uma visão de longo prazo.
Além do Sudeste Asiático, o subcontinente indiano, incluindo Bangladesh, se tornou um destino popular para investimentos redirecionados. O presidente dos EUA, Donald Trump, tem incentivado o retorno da fabricação para o país, criticando, por exemplo, os planos da Apple de expandir a produção na Índia.
Desafios e Oportunidades
Os membros da AmCham enfrentam não apenas tarifas dos EUA, que chegam a 58%, mas também as tarifas retaliatórias da China, que estão em torno de 33%. A pesquisa revelou que a confiança nas perspectivas de negócios na China atingiu um recorde negativo, com apenas 28% dos entrevistados acreditando que suas margens de operação na China em 2024 seriam superiores às de suas operações globais.
A competição no mercado doméstico chinês está crescendo, com 41% dos respondentes afirmando que as empresas chinesas estão mais avançadas na adoção de inteligência artificial, especialmente no setor de varejo, onde esse número sobe para 62%. Apesar das dificuldades, a pesquisa também indicou uma melhora no ambiente regulatório, com 48% dos entrevistados considerando-o transparente, um aumento significativo em relação a anos anteriores.
Embora a China tenha implementado políticas para atrair investimentos estrangeiros, 14% dos entrevistados relataram um ambiente de negócios piorando, especialmente no setor de tecnologia, onde 31% enfrentam desafios significativos.
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