- Os preços do café nos Estados Unidos subiram 21% em um ano, a maior alta desde mil novecentos e noventa e sete.
- O aumento é impulsionado por tarifas de 50% sobre importações do Brasil, que é o maior produtor mundial.
- As remessas de café do Brasil caíram pela metade neste ano, com uma queda de mais de 75% em agosto em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
- O preço do café moído chegou a US$ 8,87 por libra (aproximadamente R$ 105 o quilo) nos supermercados.
- A inflação de alimentos nos EUA aumentou 2,9% em agosto em relação ao ano anterior, e a indústria de supermercados busca isenções de tarifas para minimizar os impactos.
Os preços do café nos Estados Unidos atingiram um aumento histórico, com uma alta de 21% em um ano, a maior desde 1997. Essa elevação é impulsionada por tarifas de 50% sobre importações do Brasil, o maior produtor mundial, resultando em uma queda acentuada nas remessas brasileiras. Em agosto, a inflação do café subiu 3,6%, conforme dados do Bureau of Labor Statistics.
O preço do café moído chegou a US$ 8,87 por libra (aproximadamente R$ 105 o quilo) nos supermercados. A dependência dos EUA em relação às importações é crítica, já que o Brasil historicamente fornece cerca de 30% dos grãos consumidos no país. As remessas brasileiras caíram pela metade neste ano, com uma queda de mais de 75% em agosto em comparação ao mesmo mês do ano anterior, segundo a Vizion.
Impacto das Tarifas
As tarifas impostas pelo presidente Donald Trump em julho exacerbaram a escassez global de café, que já era afetada por colheitas fracas em países exportadores. A situação é preocupante, pois as importações de outros grandes produtores, como Vietnã e Colômbia, não estão conseguindo atender à demanda crescente. Thijs Geijer, economista sênior do ING, alertou que, embora os estoques atuais ajudem a mitigar o impacto, eles têm limites.
No Brasil, os preços do café moído apresentaram uma deflação de -2,17% em agosto, mas ainda acumulam uma alta de 60,85% em 12 meses. Essa discrepância de preços entre os dois países reflete a complexidade do mercado global de café, onde a oferta e a demanda estão em constante mudança.
Perspectivas Futuras
Os preços futuros do café já estão em alta, influenciados por mudanças climáticas que afetam a produção no Brasil e no Vietnã. A indústria de supermercados nos EUA está pressionando por isenções de tarifas, especialmente em produtos que não podem ser cultivados localmente a preços acessíveis. Recentemente, a Casa Branca divulgou uma lista de produtos, incluindo o café, que poderiam ter tarifas reduzidas em novos acordos comerciais.
Os consumidores americanos ainda não sentiram completamente o impacto das tarifas, pois o café enviado do Brasil leva até 20 dias para chegar aos portos dos EUA, e o repasse dos preços mais altos pode ser gradual. A Kroger, maior rede de supermercados do país, está tentando absorver os aumentos de custos, mas reconhece que as tarifas terão um impacto em alguns preços. A inflação de alimentos nos EUA também está em ascensão, com um aumento de 2,9% em agosto em relação ao ano anterior.
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