- O Banco do Brasil enfrenta alta inadimplência na carteira agro e pressão sobre pequenos produtores.
- A XP revisou suas projeções, prevendo queda de 21% no lucro líquido para 2025 e 16% para 2026.
- A corretora estabeleceu uma provisão para perdas esperadas de R$ 33 bilhões, acima do guidance anterior.
- A inadimplência deve normalizar em níveis piores do que nos últimos anos, impactada pela desaceleração econômica e altas taxas de juros.
- As ações do Banco do Brasil recuaram cerca de 16% no ano, mas tiveram uma variação mensal positiva de 5,41%.
O Banco do Brasil (BBAS3) enfrenta um cenário desafiador, com elevada inadimplência na carteira agro e pressão sobre pequenos produtores. A análise da XP indica que, apesar de medidas governamentais que visam aliviar a situação, a pressão deve persistir. A Medida Provisória 1.314, que autoriza financiamento para dívidas de produtores afetados por eventos adversos, pode beneficiar o banco, mas a expectativa é de que a inadimplência continue alta.
Os analistas da XP projetam uma queda de 21% no lucro líquido do Banco do Brasil para 2025 e de 16% para 2026. Além disso, foi estabelecida uma provisão para perdas esperadas de R$ 33 bilhões, superando o guidance anterior. A pressão sobre a carteira agro é acentuada por grandes produtores no Mato Grosso, que, apesar de estarem bem capitalizados, enfrentam atrasos na comercialização de grãos. Isso impacta negativamente os pequenos produtores, que lidam com margens apertadas.
Projeções e Expectativas
O relatório da XP destaca que a inadimplência do agro deve normalizar em níveis piores do que nos últimos anos. A desaceleração macroeconômica, impulsionada pelas altas taxas de juros, também deve afetar outras carteiras do banco. O retorno sobre patrimônio (ROE) deve ficar em 11% para 2025, com os papéis do banco negociados a múltiplos de 6,1 vezes o preço sobre o lucro para 2025 e 5,4 vezes para 2026.
A XP considera os níveis atuais das ações do Banco do Brasil como caros e estima um dividend yield (DY) de 4,8%. Os dividendos nos últimos trimestres devem seguir um payout de 30% ao ano. Apesar de uma recuperação lenta, a corretora mantém o rating de Neutro, citando a pressão contínua sobre os resultados e os riscos associados ao cenário eleitoral. No acumulado do ano, as ações do banco recuaram cerca de 16%, mas apresentaram uma variação mensal positiva de 5,41%.
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