- A fintech sueca Klarna decidiu listar suas ações em Nova York, ignorando as bolsas europeias.
- Em 2023, os IPOs na América do Norte arrecadaram 17,7 bilhões de dólares em 153 transações, enquanto a Europa obteve apenas 5,5 bilhões de dólares com 57 listagens.
- O co-chefe global de Mercados de Capital de Ações do UBS, Tommy Rueger, afirmou que a Ásia se destaca no mercado de IPOs, enquanto a Europa enfrenta estagnação.
- A incerteza do mercado e a preferência por fusões e aquisições têm levado investidores a evitar IPOs, que apresentam riscos.
- Apesar dos desafios, há expectativa de grandes negócios no quarto trimestre e um pipeline promissor para 2026 e 2027.
Quando a fintech sueca Klarna decidiu realizar sua oferta pública inicial (IPO), ignorou as bolsas europeias e optou por Nova York. Essa escolha reflete uma tendência crescente de empresas europeias que buscam mercados mais dinâmicos, enquanto a Europa enfrenta desafios significativos, como a fragmentação regulatória e a escassez de empresas adequadas para listagens.
Até agora, em 2023, os IPOs na América do Norte arrecadaram 17,7 bilhões de dólares em 153 transações, enquanto a Europa conseguiu apenas 5,5 bilhões de dólares com 57 listagens, segundo dados da FactSet. O co-chefe global de Mercados de Capital de Ações do UBS, Tommy Rueger, destacou que a Ásia tem se mostrado um motor de força no mercado de IPOs, enquanto a Europa permanece estagnada.
A saúde do mercado de IPOs europeu tem gerado preocupações entre bancos de investimento e executivos de empresas que consideram a abertura de capital. O processo de listagem é frequentemente longo e arriscado, podendo levar de três a doze meses. Durante esse período, oscilações de mercado podem desestabilizar as negociações. O índice MSCI França, por exemplo, subiu apenas 4,5% este ano, enquanto outros índices europeus enfrentaram quedas significativas.
Desafios e Oportunidades
A incerteza do mercado e a preferência por fusões e aquisições (M&A) têm atraído investidores, que veem maior segurança em transações privadas. O co-chefe de ECM para EMEA da Mizuho, Jonathan Murray, observou que muitos fundos de private equity preferem evitar o risco de IPOs que podem falhar na última hora. Além disso, a falta de empresas com desempenho consistente tem dificultado as listagens na Europa.
Luca Erpici, co-chefe de ECM para EMEA da Jefferies, afirmou que o mercado europeu está se tornando mais seletivo em relação às empresas que podem listar. Embora haja um filtro de qualidade, ele acredita que grandes negócios estão por vir no quarto trimestre e que um pipeline robusto está se formando para 2026 e 2027.
O Futuro dos IPOs
A liquidez e a profundidade do mercado dos EUA são fatores que atraem empresas para listagens americanas. A patrocinadora de SPAC, Andrejka Bernatova, ressaltou que a falta de liquidez na Europa torna as listagens menos atraentes. A fragmentação regulatória na Europa, com múltiplos reguladores nacionais, também complica o cenário.
Apesar dos desafios, alguns casos de sucesso, como a listagem da Galderma, da EQT, que viu suas ações subirem 125% desde o IPO, demonstram que ativos de alta qualidade ainda podem prosperar. O cenário atual indica que, embora o mercado europeu enfrente dificuldades, há potencial para recuperação e crescimento nos próximos anos.
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