- O governo argentino, liderado por Javier Milei, retirou restrições à compra de dólares em abril.
- Em julho, os argentinos compraram US$ 3,41 bilhões em dólares, o maior volume mensal desde 2019.
- Dados do Banco Central da República Argentina (BCRA) mostram que 1,3 milhão de pessoas adquiriram dólares, enquanto 576 mil venderam, totalizando US$ 367 milhões.
- O câmbio subiu após a derrota do governo nas eleições legislativas de Buenos Aires, atingindo 1.467 pesos por dólar.
- Com as eleições nacionais marcadas para 26 de outubro, o governo busca evitar flutuações no câmbio e seus impactos na inflação.
O governo argentino, sob a liderança de Javier Milei, enfrenta um cenário desafiador em sua política cambial. Desde a retirada das restrições à compra de dólares em abril, os argentinos adquiriram US$ 3,41 bilhões em julho, o maior volume mensal desde 2019. Apesar do esforço do governo para incentivar o uso de dólares guardados, a demanda por moeda estrangeira continua alta.
Os dados do Banco Central da República Argentina (BCRA) revelam que, em julho, 1,3 milhão de pessoas compraram dólares, mesmo com a moeda apresentando uma alta de 13,8% em relação ao mês anterior. Enquanto isso, cerca de 576 mil pessoas venderam moeda estrangeira, totalizando US$ 367 milhões, uma queda de 7,35% em comparação ao mês anterior. As compras líquidas de dólares do setor privado resultaram em saídas totais de divisas de US$ 5,43 bilhões.
Críticas e Desafios
Desde a implementação do sistema de flutuação do dólar, que estabelece limites com correção mensal, a discussão sobre a eficácia das ferramentas do governo para controlar o preço da moeda tem aumentado. O ministro da Economia, Luis Caputo, ironizou as críticas, sugerindo que os cidadãos aproveitem a oportunidade de compra. No entanto, a situação se agravou após a derrota do governo nas eleições legislativas de Buenos Aires, onde Milei perdeu por quase 14 pontos percentuais.
Após as eleições, o câmbio voltou a subir, atingindo 1.467 pesos por dólar, apenas 4 pesos abaixo do teto da banda. Analistas apontam que o governo deveria ter tomado medidas mais cedo, especialmente quando as receitas das exportações estavam em alta. Agora, a expectativa é de que o aumento de juros possa desacelerar ainda mais a economia.
Expectativas Futuras
Com as eleições legislativas nacionais marcadas para 26 de outubro, o governo busca evitar grandes flutuações no câmbio e seus impactos sobre a inflação. A consultoria 1816 prevê que a política econômica focada em resultados eleitorais não será sustentável, e uma queda do PIB no terceiro trimestre é esperada. Além disso, a PxQ destaca que 45% dos dólares comprados desde o fim do “cepo” permanecem guardados, enquanto outros foram usados para pagamentos e investimentos.
A situação econômica na Argentina se agrava, com a atividade econômica em queda e salários em declínio. O governo, por sua vez, anunciou que irá suavizar o aperto monetário, buscando estimular o consumo, mesmo diante dos riscos associados ao dólar e à inflação.
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