- O governo da Argentina, sob a liderança de Javier Milei, ampliou as restrições cambiais para conter a alta do dólar.
- As novas regras proíbem corretores de vender instrumentos em dólar enquanto mantêm posições em pesos.
- A medida entrou em vigor nesta segunda-feira e visa controlar a desvalorização do peso, que fechou a 1.467 pesos por dólar.
- A Comissão Nacional de Valores Mobiliários (CNV) permitiu que os agentes negociem instrumentos em dólar durante o dia, desde que encerrem suas posições de forma neutra ao final do pregão.
- A incerteza política e a aproximação das eleições legislativas pressionam os ativos argentinos, com títulos em dólar apresentando desempenho inferior ao de outros mercados emergentes.
A Argentina intensificou suas restrições cambiais em resposta à crescente demanda por dólares, com o governo de Javier Milei implementando novas regras que proíbem corretores de vender instrumentos em dólar enquanto mantêm posições em pesos. A medida, que entrou em vigor nesta segunda-feira, visa conter a alta da moeda americana, que já se aproxima do teto da banda cambial, fechando a 1.467 pesos por dólar.
A Comissão Nacional de Valores Mobiliários (CNV) anunciou uma nova interpretação de uma norma existente, que impede corretores de negociar instrumentos locais em dólar se estiverem com operações compromissadas em pesos. Essa estratégia, segundo o economista Juan Manuel Truffa, da consultoria Outlier, representa um endurecimento nos controles cambiais. O governo já havia aumentado a compra de contratos futuros de dólar e restringido a liquidez do mercado.
Medidas e Impactos
Após o anúncio das novas regras, o mercado financeiro argentino enfrentou turbulências. A CNV, em resposta, permitiu que os agentes negociassem instrumentos em dólar durante o dia, desde que encerrassem suas posições de forma neutra ao final do pregão. Ramiro Blazquez, estrategista da StoneX, destacou que a intenção do regulador é “colocar areia na engrenagem” da demanda por dólares.
A incerteza política em torno do apoio a Milei, especialmente com as eleições legislativas se aproximando, continua a pressionar os ativos argentinos. Títulos em dólar caíram mais de um centavo, apresentando desempenho inferior ao de outros mercados emergentes. Os bônus com vencimento em 2035 recuaram para níveis não vistos em quase um ano, sendo negociados abaixo de 53 centavos por dólar.
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