- O economista Gabriel Zucman propôs um imposto de 2% sobre a fortuna dos ultra-ricos na França para reduzir a dívida pública.
- Bernard Arnault, o homem mais rico do país, criticou a proposta, chamando Zucman de “pseudoacadêmico” e afirmando que o imposto poderia prejudicar a economia.
- Zucman defendeu a importância de um debate baseado em fatos e destacou que o imposto poderia arrecadar cerca de 20 bilhões de euros (aproximadamente 27 bilhões de dólares) anualmente de 1.800 famílias.
- Thomas Piketty, mentor de Zucman, apoiou a proposta e criticou Arnault, afirmando que as maiores fortunas aumentaram em 500% entre 2010 e 2025.
- A discussão sobre o imposto reflete tensões entre riqueza e justiça fiscal na França, com líderes de esquerda criticando a falta de contribuição dos ultra-ricos.
Um novo embate sobre a proposta de um imposto sobre a riqueza na França se intensificou entre o economista Gabriel Zucman e Bernard Arnault, o homem mais rico do país. Zucman sugere que os ultra-ricos paguem 2% sobre suas fortunas para ajudar a reduzir a crescente dívida pública, uma ideia que tem apoio da esquerda francesa, incluindo o Partido Socialista.
Arnault, que possui uma fortuna estimada em US$ 157 bilhões, criticou a proposta, chamando Zucman de “pseudoacadêmico” e afirmando que o imposto poderia “destruir a economia francesa”. Em resposta, Zucman pediu respeito pela verdade e pelos fatos, ressaltando que o debate deve ser fundamentado em dados e não em ataques pessoais.
Reações e Apoios
Zucman, professor na Paris School of Economics, argumentou que o imposto poderia arrecadar cerca de 20 bilhões de euros (aproximadamente US$ 27 bilhões) anualmente de apenas 1.800 famílias. Ele destacou que a crescente concentração de riqueza gera tensões sociais e distorce a democracia. O economista também comparou as críticas de Arnault à retórica utilizada por figuras populistas, como Donald Trump, que deslegitimam o conhecimento acadêmico.
Thomas Piketty, renomado economista e mentor de Zucman, defendeu seu aluno, afirmando que Arnault estava “falando bobagens”. Piketty ressaltou que as maiores fortunas do mundo aumentaram em 500% entre 2010 e 2025, e que um imposto de 2% ao ano seria insuficiente para reverter essa tendência.
Tensão Política
A proposta de Zucman não apenas polariza a opinião pública, mas também reflete as tensões entre riqueza e justiça fiscal na França. Líderes de esquerda, como Olivier Faure, criticaram a falta de patriotismo dos ultra-ricos, que, segundo eles, se beneficiam do Estado sem contribuir de forma justa. A líder dos Verdes, Marine Tondelier, ironizou a posição de Arnault, sugerindo que ele tem um “grande conflito de interesses” ao discutir o tema.
A discussão sobre o imposto sobre a riqueza continua a ser um ponto central no debate econômico e político francês, com implicações significativas para a política fiscal e a distribuição de riqueza no país.
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