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Raízen sofre impacto por crise de dívida após queda de Ambipar e Braskem

Raízen cai quase 19% e bonds de US$ 1 bilhão atingem mínimas; mercado reavalia crédito diante de endividamento alto

Raízen sente o efeito da crise da dívida corporativa após queda de Ambipar e Braskem | Raízen enfrenta dificuldades com o aumento de custos, colheitas ruins e apostas que ainda não trouxeram retorno. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg) (Bloomberg/Victor Moriyama)
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  • As ações da Raízen (RAIZ4) caíram quase 19% na última semana, com os títulos de US$ 1 bilhão com vencimento em 2035 atingindo mínimas históricas.
  • Na terça-feira houve recuperação parcial, com ganho de mais de 4 centavos de dólar e rendimento próximo de 9%, mas a liquidez da empresa segue preocupante.
  • Fatores de pressão incluem aumento de custos, safras ruins e investimentos em tecnologias de biocombustíveis ainda não rentáveis, em meio a turbulências de Ambipar e Braskem que elevaram a aversão ao risco.
  • Dados financeiros mostram: caixa consumido de R$ 7 bilhões nos três meses encerrados em junho; dívida líquida subiu 56% frente ao ano anterior, para R$ 49,2 bilhões; custo do serviço da dívida de R$ 1,62 bilhão, equivalendo a 86% do EBIT. A Raízen afirma ter caixa robusto de R$ 15,7 bilhões e acesso a US$ 1 bilhão em linhas de crédito.
  • A Fitch Ratings compara o cenário ao da crise da Americanas em início de 2023, destacando que o sentimento de mercado pode mudar rapidamente; investidores passam a buscar garantias de geração de caixa livre e a reduzir riscos, ainda mais com a estratégia de venda de ativos para reduzir o endividamento.

As ações da Raízen (RAIZ4) enfrentaram uma queda acentuada de quase 19% na última semana, refletindo um clima de aversão ao risco no mercado. A joint venture de açúcar e etanol, controlada pela Shell e pela Cosan, viu seus títulos de US$ 1 bilhão com vencimento em 2035 atingirem mínimas históricas. Embora tenha havido uma leve recuperação na terça-feira, com ganhos de mais de 4 centavos de dólar, a situação de liquidez da empresa continua preocupante.

O aumento de custos, safras ruins e investimentos em tecnologias de biocombustíveis ainda não rentáveis pressionam a Raízen. Segundo Ian McCall, sócio da First Geneva Capital Partners, investidores estão “muito nervosos”, optando por evitar riscos após as quedas de empresas como Ambipar e Braskem. Essas turbulências no setor corporativo brasileiro intensificaram a reavaliação de crédito da Raízen, que já enfrentava um endividamento elevado.

Desempenho Financeiro

Os dados financeiros da Raízen revelam um cenário desafiador. A empresa consumiu R$ 7 bilhões em caixa nos três meses encerrados em junho, com a dívida líquida aumentando 56% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 49,2 bilhões. O custo do serviço da dívida alcançou R$ 1,62 bilhão, representando 86% do lucro antes de juros e impostos. Apesar de a empresa afirmar ter uma posição de caixa “robusta”, de R$ 15,7 bilhões, e acesso a US$ 1 bilhão em linhas de crédito rotativas, a percepção de risco entre investidores se intensificou.

A Fitch Ratings traçou um paralelo entre a situação atual da Raízen e a crise da Americanas no início de 2023, ressaltando como o sentimento do mercado pode mudar rapidamente. A narrativa de “posição de caixa forte” já não é suficiente para tranquilizar os investidores, que agora buscam garantias de geração sustentável de caixa livre.

Perspectivas Futuras

Embora a Raízen tenha vendido ativos para reduzir seu endividamento, a eficácia dessa estratégia ainda é questionada. A pressão do mercado sobre a dívida corporativa brasileira é um sinal de alerta para a companhia, que pode ser vista como uma das principais alvos de investidores buscando minimizar riscos. Com a crescente aversão ao risco, a Raízen precisa demonstrar não apenas liquidez, mas também a capacidade de gerar fluxo de caixa sustentável para recuperar a confiança do mercado.

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