- Um estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT) com dados de 3 milhões de casos entre 2006 e 2019 mostrou que leis contra clínicas de prescrição reduziram o uso arriscado de opioides em até 30% se implementadas no início da crise.
- A pesquisa indica que a disponibilidade de prescrições e a presença de clínicas contribuem para o aumento da dependência; em estados sem restrições, houve aumento de 5% no uso arriscado.
- Fatores locais têm peso relevante na gravidade da crise, segundo a economista Amy Finkelstein, coautora do estudo.
- O estudo aponta dois canais de influência: canal de adição, que leva novos usuários à dependência, e canal de disponibilidade, que sustenta o uso entre quem já é dependente.
- A pesquisa, publicada no Quarterly Journal of Economics, afirma que políticas públicas eficazes precisam considerar tanto fatores geográficos quanto pessoais para enfrentar a crise dos opioides.
A crise dos opioides nos Estados Unidos apresenta variações significativas em sua gravidade, influenciada por fatores geográficos e políticas locais. Um estudo recente, coautorado por economistas do MIT, revela como legislações estaduais, especialmente contra clínicas de prescrição conhecidas como “pill mills”, impactaram o uso de opioides e a dependência ao longo dos anos. Os pesquisadores analisaram dados de 3 milhões de casos entre 2006 e 2019, ressaltando que restrições a essas clínicas podem ter reduzido o uso arriscado em até 30% se implementadas no início da crise, nos anos 1990.
Os dados mostram que a disponibilidade de prescrições e a presença de clínicas contribuem diretamente para o aumento da dependência. A pesquisa indica que fatores locais têm um papel preponderante, com um aumento de 5% no uso arriscado de opioides em estados que não adotaram restrições. A economista Amy Finkelstein, coautora do estudo, afirma que, embora fatores pessoais também influenciem, as características do local têm um impacto considerável.
Fatores de Risco e Canais de Adição
O estudo também identificou dois canais principais que afetam o uso de opioides: o canal de adição, onde novos usuários se tornam dependentes, e o canal de disponibilidade, que sustenta o uso entre aqueles que já são dependentes. Os pesquisadores descobriram que, ao se mudarem para estados com altas taxas de uso arriscado, indivíduos inicialmente não dependentes apresentam um aumento gradual em seu consumo. Por outro lado, usuários já dependentes mostram um aumento imediato no uso após a mudança.
Essas descobertas enfatizam a importância de políticas públicas eficazes para prevenir a início da adição. A persistência da dependência é um desafio contínuo, mesmo após a diminuição da prescrição de opioides. Dean Li, outro coautor do estudo, destaca que a prevenção do início da adição é crucial, uma vez que a dependência pode levar os usuários a buscar opioides não prescritos, agravando ainda mais a crise.
A pesquisa, publicada no *Quarterly Journal of Economics*, traz à tona a complexidade da crise dos opioides, sugerindo que uma abordagem multifacetada, que inclua tanto fatores geográficos quanto pessoais, é essencial para enfrentar esse grave problema de saúde pública.
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