- A Comissão Europeia apresentou pela primeira vez uma estratégia de habitação acessível, ampliando subsídios aos governos e prevendo reformas até 2026, incluindo regulação de alugueres de curto prazo.
- Desde 2010, os preços médios de venda na União Europeia subiram quase sessenta por cento e os aluguéis quase trinta por cento, com financiarização dos imóveis e queda na oferta pública de moradias.
- Jovens enfrentam alta precariedade: trinta por cento dos adultos de vinte e cinco a trinta e quatro anos vivem com os pais; em alguns países, o aluguel pode consumir mais de oitenta por cento da renda de trabalhadores entre dezoito e trinta e quatro anos.
- Fatores como custos de construção elevados após a pandemia contribuem para a crise, mas a principal questão estrutural é a financiarização, que transforma moradias em ativos para investidores em vez de direito básico à moradia.
- A estratégia da União Europeia busca atuar sobre o problema, mas não houve ainda adoção de fundos massivos nem medidas radicais contra a especulação; governos nacionais continuam com poder central para agir.
A União Europeia apresentou pela primeira vez uma estratégia de habitação acessível, com foco em ampliar subsídios aos governos e promover reformas até 2026. A medida busca enfrentar a crise de moradia que afeta a maioria dos jovens, trabalhadores e famílias na UE.
Desde 2010, os preços médios de venda na UE subiram quase 60%, e os aluguéis incluem alta de cerca de 30%. Essas tendências coincidem com maior financiarização dos imóveis e retração da oferta pública, agravando o acesso a moradia.
Os dados da Eurofound apontam precariedade habitacional: 30% dos jovens de 25 a 34 anos moram com os pais. Em países como Espanha, Irlanda e Portugal, os custos de aluguel consomem grande parte da renda familiar, dificultando independência.
A nova estratégia abre espaço para que governos subsidiem moradias a preços acessíveis, algo que ficou limitado pelas regras atuais, que restringiam o apoio a famílias de baixa renda. A medida visa chegar aos chamados “tectos médios”.
Entre as mudanças previstas, está também a regulação de aluguéis de curto prazo, com uma proposta de legislação a ser estruturada até o fim de 2026. A ideia é permitir que autoridades locais atuem em áreas de alta pressão imobiliária.
Apesar dos ajustes, não houve adoção de fundos significativos nem de medidas radicais até o momento. A UE não concordou com uma linha de financiamento extraordinária equivalente ao teto de 300 bilhões de euros ao ano, defendida por prefeitos de grandes cidades.
O impacto potencial da estratégia é tema de debate. Mayor Jaume Collboni, de Barcelona, aponta a moradia como um motor essencial para atrair pessoas e manter serviços públicos. A discussão envolve, ainda, a necessidade de ampliar a oferta de habitação pública.
Especialistas afirmam que a estratégia é um passo relevante, mas insuficiente para enfrentar o peso da financeirização imobiliária. A atuação permanece, na prática, com competências nacionais e orçamentos dos Estados-membros.
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