- Marc Rowan, CEO da Apollo Global Management, busca redefinir o crédito privado, com foco em expansão de crédito de grau de investimento.
- A Athene, braço de aposentadoria da Apollo, tem 97% de seu portfólio de dívida em ativos de grau de investimento, totalizando cerca de US$ 360 bilhões.
- A Apollo originou empréstimos para Athene e outras entidades, ampliando plataformas de crédito: hoje são 16 originações que vão de frotas a infraestrutura.
- Rowan afirma que o crédito privado de grau de investimento pode crescer pelo menos o dobro até o fim da década, diferindo do crédito alavancado que ganha destaque na mídia.
- O desafio atual envolve convencer reguladores e investidores de que o modelo de crédito privado de alta qualidade é estável, ao mesmo tempo em que se atinge conformidade com a supervisão financeira e a confiança dos detentores de anuidades.
Marc Rowan, CEO da Apollo Global Management, anunciou uma ofensiva para ampliar o crédito privado com foco em ativos de grau de investimento. A missão vem em meio a preocupações sobre riscos crescentes no setor, que também envolve a Athene, braço de aposentadorias da empresa.
A Apollo lidera uma transformação no mercado de crédito, com a Athene atuando como financiadora de longo prazo. Rowan defende que o crédito privado de alta qualidade pode sustentar o crescimento sem repetir crises financeiras, ao contrário do que parte da cobertura midiática sugere.
A companhia tem usado a Athene para ampliar o portfólio de empréstimos, títulos e seguros, expandindo plataformas de originação de crédito, que já somam 16 veículos. Em 12 meses, a Apollo originou cerca de US$ 190 bilhões em novos créditos.
As origens da Athene
A Athene nasceu para comprar seguradoras de vida que não emitiram novas apólices e investir seus recursos com risco contido. Em 2013, a empresa adquiriu a operação nos EUA da Aviva, impulsionando a expansão para produtos de aposentadoria.
A parceria com a Aviva abriu espaço para que a Apollo origina empréstimos para Athene e para outras seguradoras, gerando receitas de taxas. A Athene se tornou uma das maiores gestoras de aposentadoria dos EUA, com ativos que chegam a US$ 430 bilhões.
O modelo combinou com a estratégia da Apollo de ampliar crédito e ativos de longo prazo, mantendo estruturas como passivos de longo prazo para acompanhar seus empréstimos. Rowan assumiu a presidência da Apollo em 2021, consolidando o crescimento do grupo.
Questões relevantes
Um desafio central é convencer reguladores de que o crédito privado de grau de investimento não deve ser tratado como banco tradicional. Ainda assim, riscos à estabilidade podem existir, sobretudo com a atuação de seguradoras complexas e de grande porte.
A Athene divulga extensas informações sobre seus ativos, o que é visto como transparência pela empresa, mas também gera críticas sobre a sofisticação da supervisão regulatória. Bancos e órgãos reguladores discutem o equilíbrio entre divulgação e proteção ao investidor.
Outra preocupação envolve o comportamento de resgates de anuidades em cenários de crise. A Athene mantém históricos de saídas relativamente contidas, mas o risco de pânico permanece uma pauta de autoridades e do setor financeiro.
Rowan pretende iniciar o ano mantendo o foco na visão de crédito privado de alta qualidade, com o objetivo de manter a confiança de investidores individuais que detêm anuidades. A estratégia é ampliar o portfólio sem aumentar a exposição ao crédito de alto risco.
Este movimento visa consolidar a Athene como peça estável no ecossistema de crédito privado, evitando que futuras quebras sejam associadas ao modelo privadamente financiado. O tema permanecerá em pauta nas próximas semanas.
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