- TCU determinou inspeção inédita nos documentos da liquidação do Banco Master, abrindo a possibilidade de reversão da intervenção do Banco Central e gerando preocupação no mercado.
- A liquidação do Master foi decretada em 18 de novembro de 2025, acompanhada pela Operação Compliance Zero da Polícia Federal; o controlador Daniel Vorcaro tentou deixar o país e acabou preso.
- O STF também atuou no caso, com sigilo em inquérito e debates sobre conflitos de interesse ligados a um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório da advogada esposa do ministro Alexandre de Moraes; TCU acusa BC de tentar cercear suas prerrogativas.
- Campanhas digitais coordenadas teriam procurado influenciadores para difamar o Banco Central e pressionar pela reversão da liquidação, citando nomes ligados ao processo.
- O mercado diverge: analistas veem a ação do TCU como precipitada e pedem cautela, destacando riscos para a autonomia do BC e a confiança no sistema financeiro; o STF deve decidir competências entre TCU e BC.
A decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de pedir uma inspeção sobre a liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC) acendeu um debate sobre o equilíbrio de poderes no andaime regulatório brasileiro. A liquidação, decretada em 18 de novembro de 2025, ocorreu em meio a investigações de fraudes e operações financeiras sob sigilo. O caso envolve acusações de irregularidades compatíveis com crimes financeiros.
O BC sustenta que a intervenção foi necessária diante de fragilidades estruturais do banco, que dependia de aportes do FGC para honrar compromissos. O TCU alega ter competência para fiscalizar procedimentos de liquidação, o que provocou reação do mercado ante a possibilidade de desvio de prerrogativas regulatórias.
O cenário também inclui intercorrências políticas ligadas ao controlador Daniel Vorcaro, que tentou deixar o país e foi preso, além de apontamentos sobre contatos entre órgãos de controle e figuras públicas. O STF determinou sigilo e diligências em investigações relacionadas, elevando a pressão institucional.
Além disso, campanhas digitais coordenadas teriam promovido desinformação para influenciar a opinião pública sobre o BC e a liquidação. Influenciadores e conteúdos pagos foram citados como parte de uma estratégia para pressionar pela reversão da medida.
Quadro institucional e reação do mercado
O BC recorreu da decisão do TCU, questionando a legalidade da medida monocrática do ministro e pedindo cumprimento do regimento interno. O mercado sinalizou preocupação com a insegurança jurídica e com a independência do regulador diante de decisões judiciais.
Especialistas apontam que a eventual reversão poderia criar precedentes desfavoráveis para a supervisão financeira. A avaliação comum é de que a liquidação ocorreu diante de riscos relevantes e de irregularidades no funcionamento do banco.
A disputa deverá ganhar contornos no STF, que deverá arbitrar o conflito de competências entre TCU e BC. Analistas destacam que o desfecho pode influenciar a autopreservação da autonomia do BC e o tratamento de casos semelhantes no futuro.
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