- O CEO da Circle, Jeremy Allaire, rejeitou que rendimentos de stablecoins possam desestabilizar depósitos, chamando as preocupações de “totalmente absurdas” em painel no Fórum Econômico Mundial.
- Allaire citou precedentes de fundos de mercado monetário, afirmando que o crescimento de US$ 11 trilhões nesses fundos não impede a oferta de crédito.
- As transações com stablecoins atingiram US$ 33 trilhões em 2025, em meio a tensões legislativas nos Estados Unidos sobre a estrutura de mercado e o GENIUS Act.
- Executivos de bancos, incluindo o Bank of America e o JPMorgan, alertaram sobre um “sistema bancário paralelo” que pagaria juros sem salvaguardas prudenciais, pressionando mudanças no GENIUS Act.
- O Fundo Monetário Internacional apontou benefícios potenciais das stablecoins para pagamentos transfronteiriços, ressaltando riscos como desintermediação bancária; 75% das reservas permanecem em dólar, e há apelo por interoperabilidade regulatória.
O CEO da Circle, Jeremy Allaire, rejeitou as cobranças de que rendimentos de stablecoins podem comprometer a estabilidade de depósitos tradicionais. Em um painel no Fórum Econômico Mundial, Allaire classificou as preocupações como totalmente absurdas, defendendo o crescimento do setor.
As declarações ocorreram em meio a tensões entre plataformas de criptomoedas e bancos, associadas a propostas da futura legislação norte-americana sobre estrutura de mercado. No Davos summit, o executivo respondeu a críticas de que moedas digitais com juros poderiam provocar fuga de depósitos de bancos comerciais.
O painel contou com a participação do First Deputy Managing Director do FMI, Dan Katz, e da especialista em financiamento para desenvolvimento, Vera Songwe. O debate avaliou o papel das stablecoins em pagamentos globais após a aprovação do GENIUS Act no ano passado.
Contexto regulatório
Executivos de bancos intensificaram a pressão contra programas de remuneração de stablecoins. O CFO da JPMorgan, Jeremy Barnum, afirmou que tokens que pagam juros criam “um sistema paralelo de banco”, sem salvaguardas prudenciais, segundo relatos.
Allaire rebateu, dizendo que tais argumentos desconsideram a história financeira e o funcionamento das stablecoins dentro de marcos regulatórios. Segundo ele, recompensas existem em produtos financeiros para retenção de clientes, sem serem políticas monetárias.
Dados de mercado e impactos
Allaire citou precedentes de fundos de investimento do governo, que teriam crescido sem impactar a atividade de empréstimos. Ele ressaltou que a maior parte do crescimento do PIB norte-americano vem de mercados de capitais, não de crédito bancário tradicional.
A Circle obtém renda de reservas e parcerias com plataformas como Coinbase, Binance e Visa, mas não paga juros diretamente aos detentores de tokens. Plataformas parceiras podem oferecer recompensas, conforme acordos comerciais, sem implicar política monetária.
IMF reconhece benefícios e riscos
O FMI aponta benefícios potenciais das stablecoins para pagamentos transfronteiriços e inclusão financeira, ao mesmo tempo em que cita riscos como desintermediação bancária. O volume de transações com stablecoins totalizou US$ 33 trilhões em 2025, segundo o órgão, com USDC liderando em fluxo de pagamentos.
Vera Songwe destacou o impacto transformador das stablecoins na África, onde remessas mais baratas e rápidas podem reduzir custos de até 6% para menos de US$ 1 por transferência. Ela também apontou 650 milhões de africanos sem conta bancária e alta inflação em diversas nações.
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